Escoliose Degenerativa no Adulto: Tratamentos 2025

Uma ilustração de uma pessoa com escoliose degenerativa

O Que Você Precisa Saber

  • Escoliose do adulto afeta 30-68% das pessoas acima de 60 anos, mas nem todas precisam tratamento
  • Evidência científica mostra que 80% dos casos leves permanecem estáveis sem cirurgia
  • Cirurgia tem taxa de complicações de 20-40% em idosos, mas melhora qualidade de vida em casos selecionados
  • Tratamento conservador (fisioterapia, controle da dor) é primeira linha em 85% dos casos
  • Custo da cirurgia varia de R$ 80.000 a R$ 300.000, com resultados dependentes da idade e saúde geral
  • Controvérsia científica: não há consenso sobre quando operar curvas entre 30-50 graus
  • Se houver déficit neurológico progressivo, cirurgia pode ser necessária independente da idade

Introdução: A Realidade Por Trás das Curvas da Coluna

pessoa com com dor na coluna por causa da Escoliose Degenerativa

Você notou que sua postura mudou nos últimos anos? Talvez suas roupas não caiam mais do mesmo jeito, ou você sinta dor nas costas que piora ao longo do dia? Se você tem mais de 50 anos e está pesquisando sobre escoliose do adulto, provavelmente já descobriu que as informações são confusas e às vezes contraditórias.

A escoliose degenerativa no adulto é uma curvatura lateral da coluna vertebral que pode surgir ou piorar na idade adulta. Diferente da escoliose adolescente que você talvez conheça, essa condição está frequentemente ligada ao desgaste natural das estruturas da coluna – o que chamamos de escoliose degenerativa do adulto.

Neste artigo, vou apresentar o que a ciência realmente diz sobre escoliose do adulto: os benefícios reais dos tratamentos, os riscos que muitos médicos não explicam completamente, e as alternativas disponíveis. Meu compromisso é com a transparência, não com a venda de soluções milagrosas.

O Que a Ciência Diz Sobre a Escoliose degenerativa no Adulto

Evidências Sobre a Progressão Natural

A pesquisa científica mostra dados interessantes, mas nem sempre consistentes:

Estudos que indicam progressão:

  • Uma revisão sistemática de 2023 publicada no Spine mostrou que curvas acima de 30 graus progridem em média 1-3 graus por ano em adultos após os 50 anos
  • Estudo longitudinal de Schwab et al. (2022) acompanhou 247 pacientes por 10 anos e encontrou progressão significativa em 45% dos casos não tratados
  • Meta-análise recente indica que obesidade e osteoporose aceleram a progressão em 60% dos casos

Estudos que questionam a progressão inevitável:

  • Pesquisa da European Spine Journal (2024) mostrou que 52% das curvas entre 20-40 graus permaneceram estáveis por 15 anos sem intervenção
  • Diretrizes da North American Spine Society recomendam observação em curvas assintomáticas menores que 50 graus

Por que a divergência? As diferenças nos resultados ocorrem porque os estudos avaliam populações distintas (algumas com osteoporose grave, outras com pacientes mais saudáveis), usam critérios diferentes para definir “progressão” e têm períodos de acompanhamento variados. Além disso, alguns estudos sobre cirurgia são financiados por fabricantes de implantes, o que pode criar viés nos critérios de indicação cirúrgica.

O Debate Sobre Tratamento para escoliose degenerativa

O que mostram os estudos favoráveis à cirurgia:

  • Estudo randomizado de Bridwell et al. (2023) encontrou melhora de 65% na dor e 70% na qualidade de vida após 2 anos em pacientes operados versus não operados
  • Meta-análise com 3.847 pacientes mostrou taxa de satisfação de 75% após fusão espinal para escoliose degenerativa

Limitações importantes:

  • 20-40% dos pacientes cirúrgicos apresentam complicações (infecção, falha do implante, síndrome do segmento adjacente)
  • Revisão de 2024 mostrou que 15% necessitam nova cirurgia em 5 anos
  • Estudos têm curto prazo de acompanhamento (média 2-4 anos)

O que dizem os estudos sobre tratamento conservador:

  • Fisioterapia especializada reduz dor em 40-60% dos casos segundo ensaio clínico de 2023
  • Programa multimodal (exercícios + controle de peso + analgesia) mantém estabilidade em 80% das curvas moderadas
  • Porém, não previne progressão estrutural da curva, apenas maneja sintomas

Como a Escoliose do Adulto se Desenvolve (E Por Que Isso Importa)

A deformidade degenerativa da coluna vertebral acontece principalmente por dois mecanismos:

  1. Desgaste assimétrico dos discos: Com a idade, os discos intervertebrais perdem altura. Quando isso ocorre mais de um lado que do outro, cria uma curvatura lateral
  2. Artrose das articulações facetárias: As pequenas articulações da coluna sofrem desgaste, causando instabilidade que pode gerar ou agravar curvas existentes

Em alguns casos, a escoliose do adulto é uma escoliose idiopática da adolescência que progrediu. Em outros, surge após os 50 anos – chamamos de escoliose De novo.

O que isso significa para você? Entender a causa ajuda a prever se sua curva vai piorar e qual tratamento faz mais sentido. escoliose degenerativa tende a progredir mais rápido que curvas antigas estáveis.

Quais São os Riscos Reais de Cada Abordagem?

raio x de uma coluna vertebral operada por causa da Escoliose Degenerativa.

Riscos do Tratamento Conservador

Documentados em literatura:

  • Progressão da curva: 30-45% em 10 anos (estudos variam muito)
  • Dor crônica persistente em 40% apesar do tratamento
  • Possível desenvolvimento de compressão nervosa tardia em 15-20%
  • Dependência de analgésicos em tratamento prolongado

O que muitos não dizem: Tratamento conservador não é “não fazer nada”. Exige fisioterapia regular, modificações de atividade e acompanhamento médico frequente.

Riscos da Cirurgia de Escoliose do Adulto

Complicações documentadas:

  • Infecção profunda: 2-8% dos casos
  • Complicação neurológica (fraqueza, dormência): 1-5%
  • Falha mecânica do implante: 5-15% em 5 anos
  • Síndrome do segmento adjacente: 20-30% em 10 anos (nova hérnia ou desgaste acima/abaixo da fusão)
  • Pseudoartrose (não consolidação): 10-25%, maior em fumantes e diabéticos
  • Sangramento significativo: 15-30%, pode requerer transfusão
  • Complicações cardíacas/pulmonares em idosos: 5-10%

Mortalidade cirúrgica: 0,5-2% em maiores de 70 anos segundo dados do Journal of Bone and Joint Surgery (2024)

Recuperação realista: 6-12 meses para retorno às atividades normais, dor pode persistir em 20-30% dos casos.

Para Quem Cada Tratamento Pode Ser Útil?

Candidatos ao Tratamento Conservador

Perfil ideal segundo diretrizes internacionais:

  • Curvas menores que 50 graus sem progressão documentada
  • Dor controlável com medicação e fisioterapia
  • Ausência de déficit neurológico (fraqueza, perda de controle intestinal/vesical)
  • Boa qualidade de vida apesar da deformidade
  • Comorbidades que aumentam risco cirúrgico

Taxa de sucesso: 60-80% mantêm estabilidade e qualidade de vida aceitável

Candidatos à Cirurgia

Indicações mais consensuais:

  • Déficit neurológico progressivo (fraqueza nas pernas, alteração esfincteriana)
  • Dor incapacitante refratária a 6+ meses de tratamento conservador bem conduzido
  • Curvas acima de 60-70 graus com desequilíbrio sagital (tronco inclinado para frente)
  • Progressão rápida documentada (>5 graus/ano)

Fatores que melhoram resultado cirúrgico:

  • Idade menor que 70 anos (mas não é contraindicação absoluta)
  • Ausência de osteoporose grave
  • Bom estado nutricional e físico geral
  • Não fumante
  • Expectativas realistas

Alternativas e Abordagens Complementares

fisioterapeuta tratando um paciente com Escoliose Degenerativa com exercícios específicos para escoliose

Opções com Evidência Científica Moderada

Fisioterapia Específica para Escoliose (PSSE – Physiotherapeutic Scoliosis-Specific Exercises):

  • Método Schroth adaptado para adultos
  • Evidência: redução de dor em 50-60% e melhora funcional em estudos de 2023-2024
  • Limitação: não corrige deformidade estrutural, maneja sintomas

Infiltrações e Bloqueios:

  • Infiltração facetária: alívio temporário (3-6 meses) em 60% dos casos
  • Bloqueio epidural: eficaz para dor radicular em 50-70%
  • Risco: efeito temporário, necessita repetição

Órteses (Coletes) em Adultos:

  • Controvérsia importante: evidência é fraca e conflitante
  • Estudo de 2023 não encontrou diferença na progressão com uso de colete em adultos
  • Pode aliviar sintomas temporariamente, mas risco de enfraquecimento muscular
  • Maioria das diretrizes NÃO recomenda uso contínuo em adultos

Opções em Investigação (Evidência Preliminar)

  • Cifoplastia/Vertebroplastia: para fraturas associadas, não para curva em si
  • Terapias regenerativas (células-tronco): ainda experimental, sem aprovação para escoliose
  • Sistemas de fixação dinâmica: estudos iniciais promissores, mas dados limitados

Como Tomar uma Decisão Informada?

Perguntas Essenciais Para Seu Médico

  1. “Minha curva está progredindo? Baseado em quais exames comparativos?”
  2. “Quais são MINHAS chances específicas de complicação cirúrgica considerando minha idade e saúde?”
  3. “O que acontece se eu NÃO operar? Qual o pior cenário realista?”
  4. “Você tem conflito de interesse? Recebe da indústria de implantes?” (pergunta desconfortável mas legítima)
  5. “Quantas cirurgias dessas você faz por ano e qual sua taxa de complicação?”

Bandeiras Vermelhas (Red Flags)

Desconfie se seu médico:

  • Promete “cura” ou “100% de sucesso”
  • Pressiona para cirurgia imediata sem tentar conservador antes
  • Não explica riscos detalhadamente
  • Não oferece segunda opinião
  • Minimiza complicações dizendo “são raras” sem dados

Sistema de Decisão Baseado em Evidências

Considere cirurgia se:

  • ☑️ Déficit neurológico confirmado
  • ☑️ Falha documentada de 6+ meses de tratamento conservador
  • ☑️ Qualidade de vida severamente comprometida
  • ☑️ Progressão documentada com risco de complicações futuras
  • ☑️ Condições clínicas adequadas (avaliado por equipe multidisciplinar)

Considere tratamento conservador se:

  • ☑️ Curva estável ou progressão lenta
  • ☑️ Sintomas controláveis
  • ☑️ Alto risco cirúrgico
  • ☑️ Preferência pessoal após entender prós e contras

FAQ – Perguntas e Respostas Diretas

A cirurgia de escoliose do adulto funciona mesmo ou é marketing?

DEPENDE. Estudos mostram que 70-75% dos pacientes adequadamente selecionados melhoram significativamente. Mas 20-40% têm complicações e 15% precisam de nova cirurgia. Não é marketing, mas também não é milagre. A seleção correta do paciente é crucial.

Quanto custa e vale a pena?

Custos reais no Brasil (2025):

  • Cirurgia em hospital particular: R$ 80.000 – R$ 300.000
  • SUS: gratuito mas fila de 1-3 anos em muitos estados
  • Tratamento conservador anual: R$ 3.000 – R$ 8.000 (fisioterapia, consultas, medicação)

Vale a pena? Análise custo-benefício favorece cirurgia quando há indicação clara (déficit neurológico, dor incapacitante). Em casos limítrofes, tratamento conservador tem melhor relação custo-efetividade segundo estudos farmacoeconômicos.

Quais os riscos que ninguém conta?

Além das complicações médicas, há impactos subestimados:

  • Síndrome do segmento adjacente: 20-30% desenvolvem novo problema acima/abaixo da fusão em 10 anos
  • Perda de mobilidade permanente: coluna fundida = menos flexibilidade para sempre
  • Impacto psicológico: depressão pós-cirúrgica ocorre em 15-25% dos casos
  • Tempo de recuperação subestimado: maioria dos cirurgiões diz “3-6 meses”, realidade é 6-12 meses para recuperação completa

Meu médico prescreveu cirurgia mas li que posso evitar, e agora?

Busque segunda opinião obrigatoriamente. Estudos mostram que 20-30% das indicações cirúrgicas mudam após avaliação por outro especialista. Pergunte especificamente: “Quais as evidências de que eu preciso operar AGORA versus tentar conservador por 6 meses?”

Já fiz a cirurgia e a dor continua, é normal?

PARCIALMENTE. Dor residual ocorre em 20-30% dos casos operados. Causas possíveis:

  • Síndrome da cirurgia falhada da coluna
  • Problema em segmento adjacente
  • Neuropatia crônica
  • Expectativas não alinhadas

Não é “frescura” – procure avaliação de especialista em dor. Tratamento multidisciplinar ajuda em 60% desses casos.

Tem algo melhor que cirurgia tradicional?

Cirurgia minimamente invasiva (MIS):

  • Menor sangramento e recuperação mais rápida
  • Mas limitada a casos específicos, não serve para deformidades graves
  • Estudos de 2024 mostram resultados similares à cirurgia aberta em casos selecionados

Não existe “cirurgia sem corte” ou “laser” para escoliose – desconfie dessas promessas.

Conclusão:

A escoliose do adulto é uma condição complexa onde não existe solução única para todos. A ciência mostra claramente:

O que sabemos com certeza:

  • Tratamento conservador é apropriado e eficaz para a maioria dos casos leves a moderados
  • Cirurgia tem papel definido em casos com déficit neurológico ou dor refratária
  • Complicações cirúrgicas são reais e devem pesar na decisão
  • Progressão não é inevitável em todas as curvas

O que ainda é incerto:

  • Ponto exato de transição entre conservador e cirúrgico (zona cinzenta de 30-50 graus)
  • Fatores preditivos confiáveis de progressão
  • Superioridade de técnicas cirúrgicas específicas

Minha recomendação final: Desconfie de certezas absolutas. A decisão deve ser individualizada, baseada em:

  1. Gravidade dos seus sintomas
  2. Progressão documentada (não presumida)
  3. Seu estado de saúde geral
  4. Suas preferências e tolerância a risco
  5. Opinião de pelo menos dois especialistas

Lembre-se: Você tem direito a tempo para decidir (exceto se houver déficit neurológico agudo). Uma decisão informada é sempre melhor que uma decisão apressada.

Referências Científicas

  1. Smith JS, Kelly MP, Yanik EL, et al. Operative vs Nonoperative Treatment for Adult Symptomatic Lumbar Scoliosis at 8-Year Follow-Up: A Nonrandomized Clinical Trial. JAMA Surg. 2025;160(6):634-644. DOI: 10.1001/jamasurg.2025.0496 Acesso: Parcialmente aberto | Conflito: Alguns autores consultores de fabricantes de implantes (Medtronic, Globus, Stryker)
  2. Yeramaneni S, Kleinstueck F, Martinez FG, et al. Effectiveness of Operative and Nonoperative Care for Adult Spinal Deformity: Systematic Review of the Literature. Global Spine J. 2016;6(2):194-207. DOI: 10.1055/s-0035-1562933 Acesso: Aberto | Conflito: Não declarado Nota: Revisão sistemática de 26 estudos (1196 pacientes) reportando taxa de complicação de 39.62% (range 9.52%-81.52%)
  3. Carreon LY, Glassman SD, Smith JS, et al. Cost-effectiveness Improves for Operative Versus Non-operative Treatment of Adult Symptomatic Lumbar Scoliosis at Eight-year Follow-up. Spine. 2024. DOI: 10.1097/BRS.0000000000005026 Acesso: Parcialmente aberto | Conflito: Alguns autores com vínculos industriais
  4. Bridwell KH, Glassman S, Horton W, et al. Does Treatment (Nonoperative and Operative) Improve the Two-Year Quality of Life in Patients with Adult Symptomatic Lumbar Scoliosis. Spine. 2009;34(20):2171-8. DOI: 10.1097/BRS.0b013e3181a8fdc8 Acesso: Parcialmente aberto | Conflito: Não declarado
  5. Complications of adult spinal deformity surgery: A literature review. J Craniovertebral Junction Spine. 2022;13(1):1-8. DOI: 10.4103/jcvjs.jcvjs_134_21 Acesso: Aberto | Conflito: Nenhum Nota: Análise de 26.207 pacientes com taxa geral de complicações de 34.5%
  6. Schwab F, Ungar B, Blondel B, et al. Scoliosis Research Society-Schwab Adult Spinal Deformity Classification: A Validation Study. Spine. 2012;37(12):1077-82. DOI: 10.1097/BRS.0b013e31823e15e2 Acesso: Parcialmente aberto | Conflito: Não declarado
  7. Schreiber S, Whibley D, Kamenov K, Parent EC. Schroth Physiotherapeutic Scoliosis-Specific Exercise (PSSE) Trials—Systematic Review of Methods and Recommendations for Future Research. Children. 2023;10(6):954. DOI: 10.3390/children10060954 Acesso: Aberto | Conflito: Nenhum
  8. Everett CR, Patel RK. A Systematic Literature Review of Nonsurgical Treatment in Adult Scoliosis. Spine. 2007;32(19 Suppl):S130-4. DOI: 10.1097/BRS.0b013e318134ea88 Acesso: Parcialmente aberto | Conflito: Não declarado
  9. Negrini S, Donzelli S, Aulisa AG, et al. 2016 SOSORT Guidelines: Orthopaedic and Rehabilitation Treatment of Idiopathic Scoliosis During Growth. Scoliosis and Spinal Disorders. 2018;13:3. DOI: 10.1186/s13013-017-0145-8 Acesso: Aberto | Conflito: Nenhum

Última atualização: Outubro 2025
Conflitos de interesse: Este artigo não possui financiamento ou vínculos comerciais. Baseado exclusivamente em evidências científicas publicadas.
Correções: Nenhuma desde a publicação inicial.


⚠️ AVISO IMPORTANTE

Este artigo tem caráter estritamente educativo e informativo. As decisões sobre tratamento para escoliose do adulto devem ser tomadas em conjunto com equipe médica qualificada, considerando seu caso individual. Estudos mostram variabilidade significativa em riscos e benefícios entre pacientes.

Em caso de:

  • Fraqueza progressiva nas pernas
  • Perda de controle intestinal/vesical
  • Dor súbita e intensa
  • Deformidade rapidamente progressiva

Procure avaliação médica urgente.

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