Dor Cervical: Causas, Sintomas e Tratamentos 2025

Pessoa manifestando o sentimento da dor cervical por má postura

O Que Você Precisa Saber

  • Extremamente comum: Afeta 30-50% da população adulta anualmente, com evidências crescentes
  • Causas variadas: De má postura a condições graves – nem sempre é possível identificar causa específica
  • Melhora espontânea: 50-85% dos casos melhoram em 6-12 semanas, mas recorrências são frequentes
  • Tratamentos controversos: Muitas intervenções têm evidências fracas ou conflitantes
  • Bandeiras vermelhas: Sintomas específicos exigem avaliação médica imediata
  • Abordagem multimodal: Combinações de tratamentos mostram melhores resultados que terapias isoladas
  • Cronicidade real: 10-15% evoluem para dor crônica, impactando qualidade de vida significativamente

⚠️ IMPORTANTE
Este artigo tem caráter educativo. Se você apresenta dor cervical intensa, fraqueza nos braços, perda de sensibilidade ou dificuldade para caminhar, procure avaliação médica imediatamente.


Introdução: Por Que Sua Dor Cervical Merece Atenção (Mas Não Pânico)

Uma mulher com Dor Cervical

Se você está lendo isso com a cabeça inclinada para o celular – e sentindo aquele incômodo familiar no pescoço – você não está sozinho. A dor cervical se tornou uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos, competindo apenas com dor lombar em frequência.

Mas aqui está o que ninguém te conta: a maioria dos casos de dor cervical melhora sozinha, e muitos tratamentos “revolucionários” não têm evidências sólidas de eficácia. Ao mesmo tempo, alguns casos escondem condições sérias que não devem ser ignoradas.

Este artigo vai te ajudar a navegar essa zona cinzenta entre o alarmismo e a negligência. Vamos explorar o que a ciência realmente sabe (e admite não saber) sobre dor cervical, para que você possa tomar decisões informadas sobre seu cuidado.

O Que a Ciência Diz Sobre Dor Cervical

Evidências Bem Estabelecidas

A pesquisa sobre cervicalgia (termo técnico para dor no pescoço) evoluiu significativamente nas últimas décadas:

Prevalência documentada: Estudos populacionais mostram que entre 30-50% dos adultos experimentam dor cervical em algum momento do ano. A incidência aumenta com a idade, especialmente após os 40 anos, e é ligeiramente mais comum em mulheres.

História natural favorável: Meta-análises robustas demonstram que 50-85% dos casos agudos melhoram em 6-12 semanas, independentemente do tratamento. Isso não significa que tratamento é inútil, mas contextualiza expectativas realistas.

Fatores de risco identificados: Trabalho prolongado em computador, tabagismo, sedentarismo, histórico de trauma cervical (como lesão em Chicote) e condições psicológicas como ansiedade e depressão mostram associação consistente com dor cervical.

Áreas de Controvérsia

Causas específicas: Em 50-70% dos casos, não é possível identificar uma causa anatômica específica. Isso frustra pacientes e profissionais, mas é a realidade. Termos como “tensão muscular” ou “artrose cervical leve” são frequentemente usados, mas nem sempre explicam completamente os sintomas.

Imagem x Sintomas: Ressonâncias magnéticas mostram “anormalidades” (hérnias discais, artrose) em 40-60% de pessoas SEM dor cervical. Isso complica o diagnóstico – encontrar algo no exame não significa que seja a causa da dor.

Eficácia de tratamentos: Revisões Cochrane (padrão-ouro de evidência) mostram que muitos tratamentos populares têm evidências de baixa qualidade ou efeitos modestos. Isso não significa que não funcionam para alguns pacientes, mas que o efeito não é universal ou previsível.

Por Que a Divergência nas Pesquisas?

  • Heterogeneidade dos pacientes: “Dor cervical” engloba dezenas de condições diferentes
  • Medidas subjetivas: Dor é experiência pessoal, difícil de medir objetivamente
  • Vieses metodológicos: Estudos pequenos, curta duração, falta de grupos controle adequados
  • Conflitos de interesse: Parte significativa da pesquisa é financiada por indústrias de tratamento

Como a Dor Cervical Se Desenvolve (Quando Entendemos)

A coluna cervical é uma estrutura complexa: 7 vértebras, discos intervertebrais, músculos, ligamentos e nervos trabalhando em harmonia delicada.

Mecanismos Principais

Dor mecânica (a mais comum): Sobrecarga de estruturas musculoesqueléticas por postura inadequada, movimentos repetitivos ou trauma. O músculo trapézio e os estabilizadores cervicais profundos são frequentemente afetados.

Dor radicular: Compressão de raízes nervosas por hérnias discais ou osteófitos (bicos de papagaio). Causa dor que irradia para braços, frequentemente com formigamento ou fraqueza específicos.

Dor referida: Problemas em outras estruturas (ombro, mandíbula, até coração) podem manifestar dor no pescoço. Nem sempre o problema está onde dói.

Sensibilização central: Em casos crônicos, o sistema nervoso pode amplificar sinais de dor, perpetuando sintomas mesmo após resolução da causa inicial.

Fatores Agravantes Modernos

O estilo de vida contemporâneo não favorece a saúde cervical:

  • “Text neck”: Inclinação da cabeça aumenta carga na coluna de 5kg (neutro) para até 27kg (60° flexão)
  • Sedentarismo: Músculos estabilizadores enfraquecem, sobrecarregando estruturas passivas
  • Estresse psicológico: Aumenta tensão muscular e reduz limiar de dor
  • Sono inadequado: Travesseiros ruins e posições não ergonômicas agravam sintomas

Sintomas: O Que Observar e O Que Te Deve Preocupar

Apresentação Típica

  • Dor na região posterior do pescoço, podendo irradiar para ombros
  • Rigidez matinal que melhora com movimento
  • Limitação de movimentos, especialmente rotação
  • Cefaleia (dor de cabeça) tensional associada
  • Sensação de “peso” ou fadiga na região cervical

Bandeiras Vermelhas (Procure Ajuda Imediatamente)

⚠️ Situações que exigem avaliação médica urgente:

  • Fraqueza progressiva em braços ou mãos
  • Perda de controle de esfíncteres (bexiga/intestino)
  • Dificuldade para caminhar ou problemas de equilíbrio
  • Dor que piora progressivamente apesar de tratamento
  • Febre associada + rigidez de nuca intensa
  • História recente de trauma significativo
  • Dor em pessoas com câncer ou uso prolongado de corticoides

Esses sintomas podem indicar compressão medular, infecções, fraturas ou outras condições graves. Representam menos de 5% dos casos, mas não devem ser ignorados.

Bandeiras Amarelas (Atenção para Cronificação)

Fatores que aumentam risco de dor cervical se tornar crônica:

  • Expectativas negativas sobre recuperação
  • Medo excessivo de movimento (“cinesiofobia”)
  • Histórico de dor crônica em outras regiões
  • Estresse laboral ou insatisfação no trabalho
  • Sintomas depressivos ou ansiosos não tratados
  • Litígios ou processos de compensação pendentes

Diagnóstico: O Que Esperar na Avaliação

Avaliação Clínica

Um bom exame clínico é mais valioso que exames de imagem na maioria dos casos:

  • História detalhada: Características da dor, fatores agravantes/atenuantes, impacto funcional
  • Exame físico: Amplitude de movimento, força muscular, reflexos, testes provocativos
  • Avaliação postural: Análise de padrões de movimento e ergonomia
  • Rastreio psicossocial: Identificação de fatores de cronificação

Exames de Imagem: Quando São Necessários

Radiografia simples: Útil para descartar fraturas, instabilidade ou alterações estruturais significativas. Limitação: não mostra tecidos moles.

Ressonância Magnética: Indicada quando há suspeita de compressão nervosa, sinais neurológicos ou falha no tratamento conservador após 6-12 semanas.

Importante: Como mencionado, achados em exames são comuns em pessoas sem dor. Não se assuste com relatórios que descrevem “degeneração” ou “protrusões” – essas são parte do envelhecimento normal.

Tratamentos: O Que Funciona (e Para Quem)

Terapeuta realizando tratamento para Dor Cervical

Abordagens Com Melhor Evidência

1. Exercícios Terapêuticos (Evidência: Moderada a Alta)

Meta-análises mostram benefícios consistentes, especialmente para:

  • Fortalecimento da musculatura cervical profunda
  • Exercícios de controle motor e propriocepção
  • Mobilidade gradual e progressiva

Limitação: Adesão é desafio – 40-60% abandonam programas. Supervisão profissional inicial aumenta sucesso.

2. Terapia Manual (Evidência: Moderada)

Manipulação/mobilização cervical mostra benefícios de curto prazo (até 12 semanas) em estudos de qualidade moderada.

Controvérsia: Risco pequeno mas real de dissecção arterial vertebral (1 em 50.000 a 1 em 100.000 procedimentos). Avaliar custo-benefício individualmente.

3. Educação em Neurociência da Dor (Evidência: Emergente)

Ensinar pacientes sobre mecanismos de dor reduz catastrofização e melhora resultados. Especialmente útil em casos crônicos.

4. Intervenção Multimodal (Evidência: Alta)

Combinação de exercícios + terapia manual + educação supera terapias isoladas em várias revisões sistemáticas.

Tratamentos Com Evidências Conflitantes

Acupuntura: Estudos mostram resultados mistos. Meta-análises sugerem benefício pequeno, possivelmente relacionado a efeitos inespecíficos (atenção, relaxamento).

Dry Needling: Evidências limitadas. Alguns estudos mostram benefício em pontos-gatilho miofasciais, mas qualidade metodológica é questionável.

Órteses/Colares Cervicais: Uso prolongado pode causar atrofia muscular. Indicação restrita a casos agudos graves ou pós-trauma, por períodos curtos (máximo 2 semanas).

Tração Cervical: Evidências insuficientes. Pode aliviar temporariamente sintomas radiculares, mas efeitos são de curta duração.

Medicamentos: Realidades e Limitações

Anti-inflamatórios (AINEs): Benefício modesto em fase aguda. Uso prolongado tem riscos gastrointestinais e cardiovasculares.

Relaxantes Musculares: Alívio de curto prazo, mas sedação e risco de dependência limitam uso.

Opioides: Não recomendados para dor cervical não-específica. Risco de dependência supera benefícios.

Infiltrações: Evidências fracas para dor cervical mecânica. Reservadas para casos específicos de radiculopatia.

Tratamentos Sem Evidência Suficiente

Muitos tratamentos populares não têm suporte científico sólido:

  • Aplicação de calor/frio: Conforto temporário, sem efeitos duradouros demonstrados
  • Ultrassom terapêutico: Revisões Cochrane não encontram benefícios significativos
  • Laserterapia: Evidências de baixa qualidade, resultados inconsistentes
  • Suplementos (glucosamina, colágeno): Sem comprovação para dor cervical

Riscos e Efeitos Adversos dos Tratamentos

Transparência sobre o que pode dar errado:

Exercícios

  • Agravamento temporário da dor (20-30% dos casos)
  • Lesões por execução incorreta (raro com supervisão)

Terapia Manual

  • Dor pós-procedimento (30-40%)
  • Dissecção arterial (extremamente raro, mas grave)
  • Agravamento de hérnias discais (casos raros)

Medicamentos

  • AINEs: Sangramento gástrico, problemas renais/cardíacos
  • Relaxantes musculares: Sonolência, quedas em idosos
  • Corticoides: Osteoporose, imunossupressão com uso prolongado

Cirurgia

  • Indicada em <5% dos casos
  • Riscos: Infecção, lesão neurológica, falha na fusão
  • Taxa de “síndrome pós-cirurgia cervical”: 10-40%

Para Quem Cada Tratamento Pode Ser Útil

Dor Cervical Aguda (0-6 semanas)

Abordagem inicial:

  • Manutenção de atividades normais (repouso prolongado piora)
  • AINEs por curtos períodos se necessário
  • Terapia manual para alívio sintomático
  • Educação sobre prognóstico favorável

Evitar:

  • Imobilização prolongada
  • Exames de imagem de rotina
  • Tratamentos passivos exclusivos

Dor Cervical Crônica (>12 semanas)

Foco em:

  • Programa estruturado de exercícios (essencial)
  • Abordagem cognitivo-comportamental
  • Manejo de fatores psicossociais
  • Educação em neurociência da dor

Considerar:

  • Avaliação multidisciplinar
  • Tratamento de comorbidades (depressão, ansiedade)
  • Adaptações ergonômicas no trabalho

Radiculopatia Cervical

Pode beneficiar:

  • Tração cervical intermitente
  • Manipulação suave (com cautela)
  • Infiltrações epidurais (casos selecionados)
  • Cirurgia (falha conservadora após 6-12 semanas)

Alternativas e Mudanças de Estilo de Vida

Imagem ilustrativa sobre a Dor Cervical.

Estratégias com evidência crescente, muitas vezes subestimadas:

Ergonomia Baseada em Evidências

  • Monitor na altura dos olhos: Reduz flexão cervical
  • Intervalos regulares: 5min a cada 30min de trabalho em tela.( leia mais aqui: sobre a importância das pausas regulares)
  • Posicionamento do telefone: Levantar o dispositivo, não abaixar a cabeça
  • Suporte lombar adequado: Influencia postura cervical

Qualidade do Sono

  • Travesseiro que mantenha alinhamento neutro (altura varia por biótipo)
  • Evitar posição prona (barriga para baixo)
  • Posição lateral ou supina preferível
  • Substituir travesseiros a cada 18-24 meses

Manejo do Estresse

Estudos mostram correlação forte entre estresse psicológico e dor cervical:

  • Técnicas de relaxamento (respiração, mindfulness)
  • Atividade física regular (libera endorfinas)
  • Sono adequado (7-9h/noite)
  • Suporte psicológico quando necessário

Atividade Física Geral

Exercício aeróbico regular reduz dor cervical em estudos longitudinais:

  • Caminhada 30min, 5x/semana
  • Natação (evitar nado peito se agravar)
  • Yoga (evidências preliminares positivas)
  • Pilates clínico (sob supervisão)

FAQ: Perguntas Honestas, Respostas Diretas

1. Dor cervical sempre melhora sozinha?

NÃO, mas frequentemente sim. 50-85% dos casos agudos melhoram em 6-12 semanas. Porém, 10-15% tornam-se crônicos. Recorrências são comuns (50-70% em 5 anos). Tratamento adequado pode encurtar duração e reduzir recorrências.

2. Preciso fazer ressonância magnética?

DEPENDE. Na ausência de bandeiras vermelhas, exames não são necessários nas primeiras 6 semanas. Se há sinais neurológicos (fraqueza, formigamento persistente) ou falha no tratamento conservador, a imagem pode orientar decisões. Lembre-se: achados são comuns em pessoas assintomáticas.

3. Meu exame mostra hérnia/artrose. Preciso operar?

PROVAVELMENTE NÃO. Menos de 5% dos casos de dor cervical requerem cirurgia. Hérnias discais pequenas frequentemente regridem espontaneamente. Cirurgia é reservada para compressão nervosa significativa com déficits neurológicos progressivos ou dor incapacitante refratária a 6-12 semanas de tratamento conservador.

4. Usar colar cervical ajuda?

RARAMENTE E POR POUCO TEMPO. Estudos mostram que uso prolongado (>2 semanas) causa atrofia muscular e pode piorar quadro. Indicação se restringe a casos agudos muito graves ou pós-trauma, sempre pelo menor tempo possível. Movimento gradual é superior à imobilização.

5. Exercícios pioram minha dor, devo parar?

NÃO NECESSARIAMENTE. Leve aumento da dor (20-30% acima do basal) é comum no início e não indica dano. Se a dor não piora progressivamente nem persiste por horas após exercício, pode continuar. Dor intensa, irradiação nova ou fraqueza exigem reavaliação. Adaptação gradual é chave.

6. Quiropraxia é perigosa para o pescoço?

RISCO EXISTE MAS É PEQUENO. Dissecção arterial ocorre em 1:50.000 a 1:100.000 manipulações. Maioria das complicações é leve (dor aumentada temporariamente). Evitar em pessoas com artérias vertebrais comprometidas, histórico de dissecção ou uso de anticoagulantes. Mobilização (sem thrust) é alternativa mais segura.

7. Acupuntura funciona para dor cervical?

TALVEZ, MODESTAMENTE. Evidências são conflitantes. Alguns estudos mostram benefício pequeno, possivelmente relacionado a efeitos inespecíficos (relaxamento, atenção terapêutica). Se escolher tentar, faça com profissional qualificado, por período limitado (6-8 sessões). Se não houver melhora, considere outras opções com melhor evidência.

8. Quanto custa tratar dor cervical adequadamente?

VARIA ENORMEMENTE. Tratamento conservador multimodal (fisioterapia, exercícios supervisionados) custa entre R$1.500-5.000 para programa de 8-12 semanas. Infiltrações custam R$800-2.500/sessão. Cirurgia pode ultrapassar R$30.000. Considere: exercícios domiciliares bem orientados podem ser eficazes com custo mínimo após instrução inicial.

9. Existe prevenção eficaz?

SIM, com evidências razoáveis. Exercícios regulares de fortalecimento cervical e escápulo-torácico reduzem incidência em trabalhadores de risco. Ergonomia adequada, pausas frequentes, manejo de estresse e atividade física geral também mostram benefícios preventivos. Nada garante 100%, mas reduz risco significativamente.

10. Dor cervical pode ser psicológica?

É SEMPRE BIOPSICOSSOCIAL. Dor é experiência complexa que envolve tecidos, sistema nervoso, emoções e contexto social. Dor “real” não exclui componentes psicológicos – de fato, ansiedade, depressão e estresse amplificam qualquer dor. Tratar aspectos emocionais não é “fingir” que dor não existe, mas reconhecer complexidade do fenômeno.

Como Tomar uma Decisão Informada Sobre Seu Tratamento

Passos Práticos

1. Avaliação Adequada

  • Busque profissional que ouça sua história completa
  • Exija exame físico detalhado antes de exames de imagem
  • Questione se exames são realmente necessários agora

2. Entenda Seu Diagnóstico

  • Peça explicação em linguagem clara
  • Se disserem “é tensão muscular” ou “desgaste”, pergunte: quais evidências específicas?
  • Aceite quando não há causa anatômica identificável – isso é comum

3. Discuta Opções de Tratamento

  • Pergunte sobre evidências científicas
  • Questione sobre riscos e benefícios
  • Explore alternativas, incluindo observação ativa

4. Defina Expectativas Realistas

  • Melhora raramente é linear ou completa
  • Pergunte: “O que é sucesso neste tratamento?”
  • Estabeleça prazos: “Em quanto tempo devo notar diferença?”

5. Reavalie Regularmente

  • Se não há melhora em 4-6 semanas, reconsidere abordagem
  • Melhora parcial pode ser sucesso suficiente
  • Piora progressiva exige nova avaliação

Bandeiras Vermelhas em Profissionais

🚩 Evite quem:

  • Promete cura garantida
  • Vende produtos/suplementos junto com tratamento
  • Pede exames caros sem justificativa clínica
  • Desencoraja segunda opinião
  • Cria dependência de tratamentos passivos indefinidos
  • Ignora aspectos psicossociais
  • Não explica evidências ou admite incertezas

Sinais de Boa Prática

Valorize quem:

  • Educa sobre condição e prognóstico
  • Compartilha incertezas quando existem
  • Estimula participação ativa (exercícios, mudanças)
  • Adapta plano conforme resposta
  • Trabalha em rede com outros profissionais
  • Admite quando caso excede sua competência
  • Baseia decisões em evidências atualizadas

Conclusão: O Veredito Sobre a Dor Cervical

Dor cervical é extremamente comum, geralmente benigna, mas nem sempre simples. A ciência avançou, mas ainda há muito que não sabemos – e está tudo bem em admitir isso.

O Que Sabemos Com Confiança

✓ Maioria dos casos melhora com tempo, mas recorrências são comuns
✓ Exercícios terapêuticos têm melhor evidência de eficácia a longo prazo
✓ Abordagem multimodal supera tratamentos isolados
✓ Imagem raramente muda manejo inicial
✓ Fatores psicossociais influenciam prognóstico tanto quanto físicos
✓ Menos de 5% dos casos necessitam cirurgia

O Que Ainda É Incerto

? Causas específicas em 50-70% dos casos
? Qual tratamento funciona melhor para qual perfil de paciente
? Por que alguns evoluem para cronicidade e outros não
? Eficácia real de muitos tratamentos populares

Sua Melhor Estratégia

  1. Não entre em pânico – prognóstico é favorável na maioria dos casos
  2. Mantenha-se ativo – movimento gradual é terapêutico
  3. Busque avaliação qualificada – especialmente se bandeiras vermelhas
  4. Questione promessas milagrosas – desconfie de soluções fáceis
  5. Participe ativamente – você é protagonista do tratamento
  6. Considere aspectos emocionais – dor não é só física
  7. Dê tempo ao tempo – mas reavalie se não melhorar
  8. Combine abordagens – multimodal funciona melhor

Mensagem Final

Se há uma lição que a pesquisa sobre dor cervical nos ensina é: não existe bala de prata. Desconfie de quem promete curas rápidas e definitivas. Valorize profissionais que educam, escutam e adaptam – não aqueles que aplicam protocolos rígidos em todos.

Sua dor cervical merece atenção séria, mas também merece ser entendida em contexto. Não é fraqueza buscar ajuda, nem é ignorância questionar tratamentos. É, na verdade, a forma mais inteligente de cuidar da sua saúde.

Lembre-se: Este artigo informa, não substitui avaliação profissional individualizada. Use estas informações para fazer perguntas melhores e tomar decisões mais conscientes sobre seu cuidado.


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Última atualização: 05 de outubro de 2025
Próxima revisão programada: 2026
Conflitos de interesse: Este artigo não possui vínculos comerciais ou financiamentos. Baseado exclusivamente em evidências científicas publicadas.
Correções: Nenhuma até o momento. Sugestões e correções podem ser enviadas através dos comentários.



Nota do Autor

Este artigo foi desenvolvido seguindo princípios de jornalismo científico ético. Priorizamos:

✓ Transparência sobre limitações das evidências
✓ Apresentação equilibrada de estudos favoráveis e contrários
✓ Referências majoritariamente de acesso aberto
✓ Ausência de vínculos comerciais
✓ Admissão de incertezas científicas
✓ Linguagem acessível sem simplificação excessiva

Nosso compromisso é com a verdade científica, não com a venda de soluções. Se você identificar erros, evidências desatualizadas ou vieses não intencionais, por favor, nos informe. A ciência evolui, e este conteúdo deve evoluir junto.

Escreva o artigo que você gostaria de ler antes de tomar uma decisão importante sobre sua saúde.

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