Autor: Douglas Santos

  • Kettlebell: Aumente sua Força e Melhore sua Postura

    Kettlebell: Aumente sua Força e Melhore sua Postura

    Os Kettlebells ganharam espaço nas academias e nos treinos em casa, e isso não aconteceu por acaso. Esse equipamento simples, mas poderoso, é capaz de transformar sua rotina de exercícios, trazendo mais força, resistência e até uma postura melhor.

    Se você busca uma forma de desenvolver força muscular, aumentar o condicionamento físico e, de quebra, melhorar a coordenação e prevenir dores no corpo, os Kettlebells podem ser o que faltava no seu treino. Neste artigo, você vai entender o que é o kettlebell, conhecer seus benefícios e descobrir os melhores exercícios com kettlebell para incluir na sua rotina.


    O que é o kettlebell e por que ele é diferente dos halteres?

    Imagem mostrando uma kettlebell e, uma sala de exercícios.

    O kettlebell, tem suas origens na escritos Europa desde o século XVI, onde bolas de ferro maciças eram encontradas em feiras e mercados da época.

    Porém foi na foi na Rússia que essas esferas de metal começaram a revelar sua verdadeira significância na aquisição de força e resistência.

    Pavel Tsatsouline, foi o grande responsável por apresentar os treinamentos com kettlebells no ocidente nos anos 2000.

    Com o passar do tempo, a popularidade do kettlebell cresceu e passou a ser adotado em competições de força e como uma ferramenta de treinamento físico.

    O kettlebell se destacou por sua versatilidade, permitindo a realização de uma variedade de exercícios que combinam força, resistência e condicionamento cardiovascular.

    Sua forma distinta, com uma alça robusta e um peso esférico, proporciona uma dinâmica única de movimento, ajudando a desenvolver a postura e força dos praticantes.

    Hoje, o kettlebell é amplamente utilizado em academias e programas de treinamento em todo o mundo, sendo considerado um dos melhores equipamentos para alcançar um condicionamento físico completo.

    Diferente dos halteres, o peso do kettlebell não está centralizado. Isso significa que, quando você segura o kettlebell pela alça, precisa estabilizar o corpo inteiro para manter o controle.

     Esse detalhe faz com que o exercício trabalhe não só os músculos que estão fazendo os movimentos, mas também os músculos que estabilizam o movimento — aqueles que garantem boa postura e proteção contra lesões.

    Ou seja, o kettlebell é muito mais que um peso. Ele é um convite para treinar o corpo como um todo, de forma mais funcional e completa.


    Quais são os benefícios de treinar com o kettlebell?

    Grupo de pessoas treinando com kettlebell.

    Os benefícios do treino com kettlebell vão muito além da força. Esse equipamento trabalha vários grupos musculares ao mesmo tempo, aumentando o gasto calórico e trazendo resultados rápidos.

    Se na academia você consegue segmentar os músculos para desenvolver a força e volume, com o kettlebell você também desenvolve a força, porém com vários bônus como, coordenação, resistência e condicionamento e o mais importante, você trabalha o movimento.

    Tudo isso usando apenas um instrumento que não necessita de investimentos caríssimos e você só precisa de ter um espaço de 1m x 1m para praticar.

    Um dos seus efeitos colaterais é que o kettlebell melhora a postura. Como muitos movimentos exigem estabilidade do quadril, costas e abdômen firme, você acaba aprendendo a se movimentar melhor no dia a dia. Isso é essencial para evitar dores e lesões.

    Outro benefício é a versatilidade. O kettlebell pode ser usado para desenvolver força, resistência, potência e até melhorar a agilidade. Você escolhe! Dá para fazer treinos curtos, de alta intensidade, ou treinos mais longos e técnicos, sempre adaptando o peso conforme seu nível.


    Por que o swing de kettlebell é um movimento tão famoso?

    O swing de kettlebell é, sem dúvida, o movimento mais conhecido. E com razão: é um exercício poderoso para trabalhar quadril, glúteos, core e braços ao mesmo tempo.

    Para fazer o movimento, fique em pé com os pés na largura dos ombros, segure o kettlebell com as duas mãos e leve o peso para trás, entre as pernas. Em seguida, balance o kettlebell à frente, usando a força do quadril e mantendo as costas retas.

    Escrevendo assim parece fácil certo? Errado! Esse movimento apenas parece simples, mas é um dos movimentos mais complexos que já vi, e sua curva de aprendizagem é para vida toda.

    Então eu vou levar a vida toda para aprender? Sim e não. O que quero dizer é que a cada prática você descobre algo novo nesse exercício, mesmo fazendo o mesmo movimento. É difícil de explicar, mas é o que realmente acontece.

    Esse movimento básico é um dos melhores exercícios para desenvolver força e resistência, além de aumentar o gasto calórico. Faça alguns balanços e sinta o poder e “Enjoy the Pain”, como falam seus praticantes mais entusiastas.

    Mas atenção: aprenda detalhadamente cada aspecto desse movimento antes de aumentar sua carga. Kettlebells é um exercício que exige rigoroso senso de observação.

    Manter a postura correta nesse exercício é fundamental para evitar sobrecarga na coluna lombar.


    Como incluir exercícios com kettlebell na sua rotina?

    Mulher treinando com kettlebell

    Muita gente se pergunta: como treinar com o kettlebell de forma eficiente? A resposta é simples: comece pelo básico.

    Se você está iniciando, é melhor começar com um peso mais leve e focar em aprender a postura correta. Alguns exercícios simples como agachamento, e Military Press já trazem grandes resultados.

    Com o tempo, dá para incluir movimentos com kettlebell mais avançados, como  o próprio swing, clean, snatch e combinações que trabalham ainda mais o corpo inteiro. O segredo é respeitar seu ritmo e sempre manter atenção à postura durante o exercício.


    Quais grupos musculares o kettlebell trabalha?

    O mais interessante do kettlebell é que ele atua em diversos grupos musculares. Isso acontece porque o peso exige estabilidade, coordenação e potência.

    Em um simples swing, por exemplo, você trabalha quadril, glúteos, abdômen, ombros e braços, ou seja, todos os músculos da cadeia posterior do corpo.

    Já no agachamento com kettlebell, o foco está nas pernas e no core. E quando você leva o kettlebell acima da cabeça, ativa ainda mais ombros e braços.

    Essa capacidade de ativar vários músculos ao mesmo tempo é o que torna o kettlebell tão eficiente e completo.


    10 exercícios com kettlebell para transformar seu treino

    Iniciantes treinando com kettlebell

    Se você quer levar seu treino ao próximo nível, aqui estão 10 exercícios com kettlebell que não podem faltar:

    1. Kettlebell Swing – básico e essencial.
    2. Agachamento com kettlebell – para pernas fortes e glúteos firmes.
    3. Turkish Get-Up – trabalha coordenação e força e controle.
    4. Press acima da cabeça – ombros e braços.
    5. Clean – explosão e potência.
    6. Snatch – desafio para força e resistência.
    7. Deadlift com kettlebell – costas fortes e postura.
    8. Lunge com kettlebell – equilíbrio e estabilidade.
    9. Farmer’s Walk (caminhada do fazendeiro) – pega e core.
    10. Russian Twist com kettlebell – abdômen definido.

    Esses são apenas alguns exercícios, que se você praticá-los de forma rotineira, eles mostram como o kettlebell pode ser usado para treinar todo o corpo de forma prática e eficiente.


    Kettlebell é seguro para iniciantes?

    Muita gente acha que o kettlebell é apenas para atletas avançados, mas isso não é verdade. O kettlebell é uma forma segura e adaptável de treino — desde que você aprenda a postura correta antes de aumentar as cargas.

    O ideal é começar com cargas mais leves e, se possível, ter a orientação de um profissional para aprender os movimentos básicos. Dessa forma, você evita lesões e aproveita ao máximo os benefícios de treinar com esse acessório.

    No Site Strong First você encontrará inúmeras dicas de como trabalhar corretamente com o Kettlebell.


    Kettlebell envolve força ou resistência?

    Um homem forte segurando um Kettlebell pesado

    A resposta é: os dois. O treinamento com kettlebell é versátil porque pode trabalhar tanto força e potência quanto resistência e condicionamento físico.

    Quando você faz movimentos rápidos e intensos, como o swing, trabalha potência. Já nos movimentos mais lentos e controlados, como o press ou o agachamento, o foco é aumentar a força muscular.

    Ou seja, com os kettlebells você consegue um treino completo, capaz de desenvolver força funcional, resistência e até agilidade.


    Como o kettlebell melhora a postura no dia a dia?

    Um dos grandes diferenciais do kettlebell é que ele ajuda a manter a postura dentro e fora do treino. Isso porque muitos movimentos exigem atenção à postura, principalmente com costas retas e abdômen firme.

    Além disso, ao fortalecer o core, quadris e glúteos, o kettlebell corrige desequilíbrios musculares e dá suporte para a coluna. Esse fortalecimento é o que realmente melhora a postura no dia a dia.


    Conclusão: por que incluir o kettlebell no seu treino?

    kettlebell de 24 kg

    O kettlebell é uma ferramenta completa para quem quer treinar de forma inteligente, prática e eficiente. Sem frescura! Ele trabalha a força, melhora o condicionamento físico, aumenta o gasto calórico e ajuda a manter a postura.

    Mais do que um simples acessório, o kettlebell permite desenvolver força funcional, potência e resistência, tornando-se indispensável para quem busca saúde, performance e bem-estar.


    Resumo dos pontos principais

    • O kettlebell é um acessório versátil que trabalha todo o corpo.
    • Aumenta a força, resistência, coordenação e condicionamento físico
    • Ajuda a melhorar a postura e prevenir lesões.
    • Pode ser usado por iniciantes e avançados, basta ajustar o peso.
    • Trabalha vários grupos musculares ao mesmo tempo.
    • Garante gasto calórico alto
    • Os melhores exercícios com kettlebell incluem swing, agachamento, press, deadlift e snatch.
    • É uma forma prática de levar seu treino ao próximo nível e conquistar força, resistência e boa postura.

    FAQ sobre Kettlebells: Força, Postura e Treino Funcional

    1. O que é o kettlebell?

    O kettlebell é um acessório de treino em formato de bola de ferro com uma alça. Diferente dos halteres, ele permite movimentos dinâmicos que trabalham vários grupos musculares ao mesmo tempo.

    2. Quais são os principais benefícios de treinar com kettlebell?

    Treinar com Kettlebells aumenta a força muscular, condicionamento, ajuda a melhorar a postura, desenvolve potência e resistência, além de promover alto gasto calórico em pouco tempo.

    3. O que é o kettlebell swing?

    O kettlebell swing é um movimento básico em que você balança o kettlebell entre as pernas e o projeta para frente usando a força do quadril. Ele fortalece glúteos, core e melhora o condicionamento físico. É um exercício que explora a potência muscular.

    4. Kettlebell pode substituir halteres e outros equipamentos?

    O kettlebell é diferente dos halteres porque possibilita exercícios funcionais. Ele não substitui totalmente os aparelhos, mas pode ser usado como ferramenta principal de treino.

    5. Quais músculos o kettlebell trabalha?

    Os exercícios com kettlebell ativam glúteos, quadril, pernas, core, ombros e braços. Isso porque muitos movimentos envolvem vários grupos musculares ao mesmo tempo.

    6. Quais são os melhores exercícios com kettlebell para iniciantes?

    Alguns exercícios ideais para começar são: agachamento goblet, press acima da cabeça e remada curvada. Esses movimentos ajudam a desenvolver força com boa postura.

    7. Qual peso de kettlebell devo escolher para começar?

    Homens costumam começar com kettlebells de 12 a 16 kg e mulheres com 8 a 12 kg. O mais importante é aprender a técnica com cargas mais leves antes de evoluir.

    8. Treinar com kettlebell melhora a postura?

    Sim. O kettlebell exige atenção à postura em todos os movimentos, fortalecendo o core e a lombar, o que ajuda a manter a coluna alinhada e evitar dores.

    9. Quantos exercícios com kettlebell devo incluir no treino?

    Você pode incluir entre 5 e 10 exercícios com kettlebell por sessão, variando movimentos para diferentes músculos. Isso garante equilíbrio entre força, resistência e mobilidade.

    10. Kettlebell é indicado para todos os níveis de condicionamento físico?

    Sim. O treino com kettlebell é adaptável. Iniciantes podem usar cargas leves e movimentos básicos, enquanto avançados podem incluir exercícios complexos para treinos mais insanos.

    Dr.Douglas Santos

    Escrito por

    Dr.Douglas Santos

    Fisioterapeuta

  • Escoliose Idiopática: Dicas de Especialistas para Diagnóstico, Exercícios e Uso do Colete

    Escoliose Idiopática: Dicas de Especialistas para Diagnóstico, Exercícios e Uso do Colete

    Com base nas orientações de grandes especialistas, reunimos seis conselhos fundamentais para quem enfrenta a escoliose. São recomendações simples, mas muito eficazes, que podem transformar o rumo do tratamento e trazer mais qualidade de vida.


    1. Diagnóstico Precoce é Fundamental

    família consultando com um médico pra saber se a filha tem escoliose

    Quanto mais cedo a escoliose for identificada, maiores as chances de controlar sua progressão. A detecção em fases iniciais permite iniciar intervenções conservadoras — como o uso de colete e exercícios específicos — antes que a curva avance.

    Pais, professores e profissionais de saúde devem estar atentos a sinais como:

    • Ombros desalinhados,
    • Cintura assimétrica,
    • Escápulas (ossos das costas) mais salientes.

    O rastreamento em escolas continua sendo uma das estratégias de saúde pública mais eficazes para identificar o problema cedo.


    2. O Colete Certo Faz Toda a Diferença

    O colete ortopédico é uma das ferramentas mais validadas para controlar a progressão da escoliose. Mas o modelo adequado deve ser definido de forma personalizada, levando em conta a curva, a idade e o crescimento do paciente.

    Os modelos mais utilizados são:

    • Boston: tradicional e muito aplicado nos EUA.
    • Rigo-Chêneau: mais moderno, com foco na correção em 3D.

    O sucesso do uso do colete depende não só do ajuste técnico, mas também da adesão do paciente. Nesse processo, o apoio emocional da família e da equipe multiprofissional é essencial.


    3. Exercícios Específicos São Essenciais

    Paciente praticando exercício para tratar a escoliose

    Praticar atividade física é importante, mas, no caso da escoliose, não basta apenas se movimentar: são necessários exercícios terapêuticos específicos. Esses métodos trabalham diretamente a curva da coluna e buscam correção ativa.

    Entre os métodos mais reconhecidos no mundo estão:

    • Schroth: baseado em posturas corretivas e respiração rotacional.
    • SEAS (Scientific Exercise Approach to Scoliosis): técnica italiana que estimula a autonomia do paciente.

    Esses exercícios ajudam a:
    ✔ Melhorar o alinhamento postural.
    ✔ Aumentar a consciência corporal.
    ✔ Reduzir dor e rigidez.
    ✔ Controlar ou até reduzir o grau da curva.


    4. Tratamento Multidisciplinar e Individualizado

    Cada paciente é único. O que funciona para um adolescente de 12 anos pode não ser o mais indicado para uma jovem de 16. Por isso, o tratamento deve ser individualizado e, sempre que possível, multidisciplinar.

    A equipe ideal pode incluir:

    Essa abordagem integrada garante decisões mais assertivas e melhora a qualidade de vida do paciente.


    5. Cirurgia: Apenas Quando Necessária

    A maioria dos casos de escoliose pode ser controlada com colete e exercícios. A cirurgia só costuma ser indicada quando a curva ultrapassa 45° a 50° e continua a progredir, principalmente durante o crescimento.

    Hoje, os avanços da medicina permitem cirurgias menos invasivas, com recuperação mais rápida e resultados muito satisfatórios. Mas, ainda assim, esse é um recurso reservado para situações específicas e deve ser conduzido por especialistas em deformidades da coluna.


    6. Adesão e Apoio Familiar: O Diferencial

    Apoio familiar no tratamento da escoliose

    Esse talvez seja o conselho mais humano de todos. O tratamento da escoliose, especialmente na adolescência, pode ser desafiador. O uso do colete, a disciplina com os exercícios e as consultas médicas frequentes exigem resiliência.

    Quando há acolhimento da família, compreensão da escola e acompanhamento próximo da equipe de saúde, o paciente tende a manter a motivação e aderir melhor ao tratamento — o que faz toda a diferença nos resultados.


    Considerações Finais

    A escoliose não precisa ser sinônimo de limitações. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado, exercícios específicos e apoio contínuo, é possível alcançar excelentes resultados e manter uma vida plena.

    Se você ou alguém próximo está nessa jornada, lembre-se: você não está sozinho. Há profissionais capacitados, técnicas modernas e um caminho seguro a seguir.

    Procure sempre informações de fontes confiáveis, conte com uma equipe especializada e cuide do que realmente importa: o seu bem-estar.


    FAQ sobre Escoliose Idiopática

    1. O que é escoliose idiopática?

    A escoliose idiopática é uma curvatura anormal da coluna vertebral que surge sem causa definida. Ela pode aparecer principalmente na infância ou adolescência, durante o período de crescimento.

    2. Como identificar os primeiros sinais de escoliose?

    Os sinais mais comuns incluem ombros desalinhados, cintura assimétrica, quadris desnivelados e escápulas mais salientes em um dos lados. Se notar essas alterações, é importante buscar avaliação médica o quanto antes.

    3. O diagnóstico precoce da escoliose faz diferença?

    Sim. Quanto mais cedo a escoliose idiopática é identificada, maiores as chances de controlar sua progressão com métodos conservadores, como coletes ortopédicos e exercícios específicos.

    4. Quais são os tipos de colete mais usados no tratamento da escoliose?

    Os mais conhecidos são o Boston, bastante utilizado nos Estados Unidos, e o Rigo-Chêneau, que promove correção tridimensional da curva. A escolha do colete deve ser feita pelo especialista conforme as características da curva e do paciente.

    5. Quais exercícios são indicados para quem tem escoliose idiopática?

    Métodos como o Schroth e o SEAS (Scientific Exercise Approach to Scoliosis) são os mais recomendados. Eles ajudam a melhorar o alinhamento, a consciência corporal, reduzem dores e contribuem para estabilizar ou até corrigir a curva.

    6. Todo paciente com escoliose precisa de cirurgia?

    Não. A maioria dos casos de escoliose idiopática pode ser tratada de forma conservadora. A cirurgia só é indicada em curvas acentuadas (geralmente acima de 45°–50°) que continuam a progredir, especialmente durante o crescimento.

    7. Qual a importância do tratamento multidisciplinar?

    O tratamento da escoliose idiopática é mais eficaz quando envolve uma equipe com ortopedista, fisioterapeuta e, em alguns casos, apoio psicológico. Essa abordagem integrada garante melhores resultados e qualidade de vida.

    8. O apoio da família influencia no tratamento da escoliose?

    Sim. O suporte emocional e prático da família é essencial, principalmente para adolescentes. Ele aumenta a adesão ao uso do colete, à prática dos exercícios e ao acompanhamento médico, favorecendo o sucesso do tratamento.

    Dr.Douglas Santos

    Escrito por

    Dr.Douglas Santos

    Fisioterapeuta

  • 50 anos depois: Como evoluiu a escoliose idiopática não tratada?

    50 anos depois: Como evoluiu a escoliose idiopática não tratada?

    A escoliose é uma condição ortopédica caracterizada por um desvio da coluna acompanhado de rotação das vértebras. Entre os tipos de escoliose, a mais comum é a escoliose idiopática do adolescente (EIA), que aparece principalmente durante a fase de crescimento rápido na puberdade.

    Uma dúvida recorrente de pacientes e familiares é: “O que acontece se a escoliose não é tratada?”. Essa questão foi investigada em profundidade no histórico Estudo de Iowa, conduzido por Stuart L. Weinstein e colaboradores, que acompanhou pacientes com escoliose idiopática não tratada por mais de 50 anos.


    O que é escoliose idiopática e por que deve ser acompanhada?

    A escoliose idiopática é uma curvatura anormal da coluna vertebral, geralmente diagnosticada na adolescência sem causa aparente. A evolução da curva pode variar: em alguns casos ela permanece estável, mas em outros a curvatura pode piorar, trazendo dor, alterações posturais e, nos casos mais graves, comprometimento da função pulmonar.

    O diagnóstico da escoliose é feito por meio de exame físico e radiografias. O médico especialista em coluna pode solicitar exames adicionais para avaliar o risco de progressão da escoliose e indicar se o uso de colete ortopédico ou até cirurgia de escoliose é recomendada.

    imagem mostrando uma radiografia de uma escoliose idiopática não tratada

    O Estudo de Iowa: 50 anos de acompanhamento da escoliose não tratada.

    O Estudo de Iowa começou nos anos 1950–1960 e reuniu adolescentes diagnosticados com escoliose idiopática do adolescente que não fizeram fisioterapia, não utilizaram coletes ortopédicos e não passaram por cirurgia de escoliose.

    Eles foram acompanhados até, em média, 51 anos após o diagnóstico, quando a idade média dos pacientes era de 66 anos.


    O que os números revelam sobre a progressão da escoliose idiopática não tratada?

    Os resultados finais do acompanhamento foram impressionantes:

    • Curvas torácicas: média de 85° (variando de 23° a 156°).
    • Curvas lombares: média de 49° (15° a 90°).
    • Curvas toracolombares: média de 90° (50° a 155°).
    • Curvas duplas: torácicas em média 79° e lombares 76°.

    Outros achados importantes:

    • 68% das curvas maiores continuaram a progredir após a maturidade esquelética.
    • Curvas menores que 30° na maturidade: em geral não progrediram.
    • Curvas entre 50° e 75°: especialmente as torácicas, progrediram de forma significativa.
    • Curvas acima de 80°: estavam associadas a sintomas respiratórios (falta de ar).

    Esses dados deixam claro que a escoliose não é estática: em muitos pacientes, especialmente nos casos moderados e graves, a curvatura pode piorar ao longo da vida.


    Dor, função e qualidade de vida

    Além das medidas radiográficas, o estudo avaliou aspectos práticos da vida dos pacientes:

    • Dor nas costas: mais comum do que em pessoas sem escoliose. Muitos relataram dor lombar crônica, de intensidade leve a moderada.
    • Função: apesar da dor, a maioria manteve independência, trabalhou, casou-se e teve filhos.
    • Estética: a deformidade é uma das maiores queixas, associada a insatisfação com a imagem corporal.
    • Pulmão: pacientes com curvas torácicas muito grandes (>80°) apresentaram mais sintomas respiratórios.
    • Sobrevida: não houve aumento de mortalidade. A escoliose não comprometeu a expectativa de vida em comparação aos controles.

    O que aprendemos com o Estudo de Iowa

    As lições principais incluem:

    • Curvas pequenas podem se manter estáveis, sem progressão significativa.
    • Curvas maiores geralmente progridem, especialmente após a maturidade.
    • Dor lombar e impacto estético são comuns, mas não impedem vida ativa.
    • Função e independência são preservadas, mesmo em curvas grandes.
    • A longevidade não é afetada, embora sintomas respiratórios possam aparecer em curvas torácicas extremas.

    Tratamento da escoliose idiopática hoje: o que é recomendado

    Imagem da coluna vertebral mostrando suas curvas fisiológicas em uma vista de perfil e de frente. Curvas importantes para uma boa postura

    Vale lembrar que os pacientes do Estudo de Iowa não tiveram acesso aos recursos modernos. Atualmente, contamos com diversas opções de tratamento da escoliose:

    • Diagnóstico precoce, cada vez mais comum em triagens escolares.
    • Fisioterapia e exercícios específicos para escoliose, que ajudam no controle muscular e postural.
    • Coletes ortopédicos, comprovadamente eficazes em evitar a progressão da curvatura em adolescentes.
    • Cirurgia de escoliose, indicada em casos mais graves, quando a curva é progressiva e pode comprometer órgãos internos.

    Conclusão

    O Estudo de Iowa mostrou que a escoliose pode ser progressiva e causar dor, deformidade e impacto na autoestima, mas também que muitas pessoas com a condição viveram de forma plena, com trabalho, família e independência.

    Hoje, com os avanços no diagnóstico da escoliose e nos tratamentos (como fisioterapia, colete e cirurgia), os pacientes têm muito mais recursos para evitar a progressão da escoliose e preservar sua qualidade de vida.

    Se a escoliose for detectada, procure um especialista em escoliose. Tratar a escoliose precocemente é recomendado e pode evitar complicações no futuro.


    FAQ – Perguntas Frequentes sobre Escoliose

    1. Toda escoliose piora com o tempo?

    Não. O Estudo de Iowa mostrou que curvas menores que 30° geralmente permanecem estáveis, mas 68% das curvas maiores progrediram após a maturidade esquelética.

    2. Qual a expectativa de vida de pessoas com escoliose não tratada?

    A escoliose não comprometeu a expectativa de vida: os pacientes viveram tanto quanto a população geral.

    3. A escoliose causa problemas respiratórios?

    Apenas em curvas torácicas muito grandes (maiores de 80°) houve aumento de sintomas respiratórios, como falta de ar.

    4. A escoliose sempre causa dor nas costas?

    A maioria dos pacientes relatou dor lombar leve a moderada, mas ainda conseguiram levar vida ativa.

    5. Pacientes com escoliose não tratada puderam casar e ter filhos?

    Sim. O estudo mostrou que casamento e gravidez não foram prejudicados pela escoliose.

    6. A escoliose pode comprometer a qualidade de vida do paciente?

    Pode impactar principalmente a estética e causar dor crônica, mas não impediu os pacientes de trabalhar e manter independência.

    7. Quando a cirurgia de escoliose é recomendada?

    Em casos graves, com curvas progressivas que ultrapassam 50°–60°, ou quando há risco de impacto funcional e pulmonar.

    8. O uso de colete pode evitar a progressão da escoliose?

    Sim. Coletes ortopédicos modernos são eficazes para evitar que a curvatura chegue a níveis cirúrgicos.

    9. A fisioterapia pode tratar escoliose?

    A fisioterapia especializada em escoliose é recomendada pois ajuda a impedir a progressão da curva

    10. Qual a principal lição do Estudo de Iowa?

    Que a escoliose não é estática: curvas pequenas podem se manter estáveis, mas curvas grandes tendem a progredir. O acompanhamento precoce é essencial.



    Referência

    Weinstein SL. The Natural History of Adolescent Idiopathic Scoliosis. J Pediatr Orthop. 2019;39(6 Suppl 1):S44–S46. doi:10.1097/BPO.0000000000001350

    Weinstein SL, Dolan LA, Spratt KF, Peterson KK, Spoonamore MJ, Ponseti IV. Health and Function of Patients With Untreated Idiopathic Scoliosis: A 50-Year Natural History Study. JAMA. 2003;289(5):559–567. doi:10.1001/jama.289.5.559

    Dr.Douglas Santos

    Escrito por

    Douglas Santos

    Fisioterapeuta

  • Benefícios do Pilates e Melhora da Postura

    Benefícios do Pilates e Melhora da Postura

    O Pilates é muito mais do que uma série de exercícios: é um convite para conhecer melhor o próprio corpo e aprender a cuidá-lo com atenção. Com ele, é possível conquistar mais força, flexibilidade e, principalmente, uma melhora da postura — algo que impacta diretamente na nossa saúde e bem-estar.
    Se você já sentiu dores nas costas, percebeu sinais de má postura ou deseja melhorar sua postura para ter mais disposição no dia a dia, este artigo vai mostrar como o Pilates pode ser o aliado perfeito. Aqui você vai entender o que é o método, como ele age na correção postural e quais são os principais benefícios do Pilates para sua rotina.

    Imagem mostrando os Benefícios do Pilates. Fisioterapeuta Maite Pereira na prática do Pilates

    1. O que é Pilates e como funciona para o corpo?

    O Pilates é um método criado por Joseph Pilates que combina força, controle e respiração para melhorar o condicionamento físico e postural. Ele é um método de movimento que trabalha de forma integrada coluna vertebral, músculos do abdômen, braços e pernas, promovendo equilíbrio e harmonia corporal.

    Na prática do Pilates, os exercícios focam no centro de força (core), que inclui lombar, abdômen e quadris. Isso garante suporte e estabilidade para todo o corpo, além de prevenir sobrecarga nas vértebras e melhorar o alinhamento do corpo. Ao mesmo tempo, o método alonga e fortalece, criando a base para uma postura correta.


    2. Benefícios do Pilates para corrigir a postura

    Os benefícios do Pilates vão muito além da estética. Ele ajuda a:

    • Fortalecer a musculatura que sustenta a coluna vertebral
    • Melhorar a postura ereta e o alinhamento do corpo
    • Reduzir desconforto e prevenir dores na coluna
    • Condiciona o praticante
    • Deixa o corpo forte e flexível

    A correção postural acontece porque o Pilates trabalha músculos profundos e posturais ao mesmo tempo em que aumenta a flexibilidade. Assim, fica mais fácil manter a postura correta nas atividades cotidianas.
    O uso do Pilates é tão eficaz que um dos maiores benefícios do Pilates é justamente a redução de dores e a prevenção de problemas de saúde relacionados à má postura.


    3. Como o Pilates ajuda na consciência corporal e alinhamento?

    Um dos diferenciais do método é a consciência corporal. Durante uma aula de Pilates, o praticante aprende a observar a própria posição do corpo e a fazer ajustes para encontrar a postura correta.

    O Pilates promove a percepção da postura em pé, sentada ou deitada, evitando postura inadequada e ajudando a corrigir desvios e encurtamentos musculares. Essa atenção aos detalhes ajuda a manter a postura no dia a dia, mesmo fora da sala de treino.


    4. Pilates e RPG: diferenças e semelhanças na correção postural

    O Pilates e o RPG (reeducação postural global) têm objetivos semelhantes, mas atuam de formas diferentes.

    Imagem mostrando um fisioterapeuta tratando um paciente com reeducação Postural Global e mostrando a diferença e semelhança com o Pilates.


    O RPG trabalha com posturas estáticas mantidas por mais tempo, alongando cadeias musculares para corrigir deformidade ou desvio.
    O Pilates, por sua vez, utiliza movimentos controlados e dinâmicos que fortalecem e alongam ao mesmo tempo.

    Em alguns casos, as sessões de Pilates podem complementar as sessões de RPG. O Pilates auxilia na manutenção de uma boa postura, após ajustes mais específicos da RPG.


    5. Má postura: como identificar e prevenir com Pilates

    A má postura vai além de um incômodo visual — ela pode causar sobrecarga, dores nas costas, problemas na coluna e até limitar movimentos.
    Sinais comuns incluem ombros caídos, abdômen projetado para frente, coluna vertebral desalinhada e dificuldade em manter a postura ereta por tempo prolongado.

    O Pilates ajuda na prevenção e na correção ao fortalecer os músculos que sustentam a postura, melhorar a mobilidade das articulações e promover alongamento e força na medida certa.


    6. Exercícios de Pilates para fortalecer e alongar a musculatura

    Os exercícios de Pilates são variados e adaptáveis. Alguns focam no fortalecimento da musculatura postural, outros no alongamento e no alinhamento do corpo.
    Movimentos como pranchas, ponte e exercícios de abdominal profundo trabalham o centro de força, estabilizando a lombar e melhorando a postura.

    Já os movimentos executados nos aparelhos exige mais da atenção e concentração para coordená-los. Os aparelhos ajudam o praticante como um auxílio, mas também estimula o praticante a se desafiar e a progredir cada vez mais.

    O pilates para melhorar a postura combina força e flexibilidade, garantindo que a postura pode ser mantida com menos esforço ao longo do dia.


    7. Como o Pilates pode ajudar em problemas de saúde e dores na coluna

    O Pilates pode ser indicado para tratar e prevenir problemas de saúde ligados à postura, como escoliose, problemas na coluna e até hérnias de disco. Ele contribui para a redução de dores, melhora a mobilidade e protege o corpo contra risco de lesões.

    Como pilates é um método de baixo impacto, ele é seguro para quem sofre com dores na coluna, trabalhando dentro dos limites e necessidades de cada praticante.


    8. Pilates clínico Vs Reeducação Postural Global(RPG)

    O Pilates clínico é personalizado para casos de reabilitação. Ele pode fazer parte de um programa de reeducação postural global, complementando o trabalho com a RPG auxiliando na mobilidade, flexibilidade e fortalecimento de áreas específicas.

    Durante o processo, o profissional adapta exercícios para ativar os músculos do abdômen, melhorar o alinhamento e corrigir a posição do corpo, evitando sobrecarga nas vértebras.


    9. Como praticar Pilates de forma segura e eficiente

    Para praticar Pilates com segurança, é essencial ter acompanhamento de um profissional qualificado. Isso garante que a correção postural seja eficaz e que a postura correta é mantida durante cada movimento.

    Com aulas regulares de Pilates, o corpo vai se adaptando, ganhando força e flexibilidade. Assim, é possível alcançar manutenção de uma boa postura e melhorar sua postura em qualquer fase da vida.

    Aqui na RepostureFoz a Fisioterapeuta Maite Pereira é a encarregada da prática do Pilates. Seu trabalho atinge todos os públicos desde adolescentes até idosos, com trabalhos individualizados ou em grupos.


    10. Dicas para manter a postura correta no dia a dia

    Imagem mostrando a correta organização postural.

    Mesmo fora das aulas, aplicar os princípios do método faz toda a diferença. Para manter a postura correta, observe sua postura em pé, ajuste a posição do corpo quando necessário e evite ficar em uma única posição por tempo prolongado.

    Não adianta estar em uma postura super corrigida. procure o equilíbrio entre a boa organização postural e o esforço para manter essa postura.

    A melhor postura é aquela onde você emprega a mínima energia com o melhor alinhamento corporal possível!

    Ao sentar-se por tempo prolongado, opte por uma cadeira que te permita gerenciar o estresse da coluna. Cadeiras com ajuste do encosto e com apoio lombar são as melhores.

    A boa postura é fruto de hábitos consistentes. O Pilates trabalha exatamente essa integração corpo-mente, fazendo com que a postura a partir de um bom alinhamento se torne natural.


    Resumo: Principais pontos para lembrar sobre Pilates e postura

    • O Pilates é um método que fortalece e alonga a musculatura para promover correção da postura.
    • Melhora a consciência corporal, o alinhamento do corpo e previne sobrecarga nas vértebras.
    • Benefícios do Pilates incluem condicionamento físico, redução de dores, prevenção de problemas de saúde, aumento do tônus corporal, mobilidade e da flexibilidade.
    • Pode complementar a RPG em um programa de reeducação postural global.
    • Ajuda a prevenir e tratar escoliose, hérnia de disco e outros problemas musculoesquelético.
    • Pilates para melhorar a postura é indicado para todas as idades.
    • Sessões regulares com acompanhamento profissional garantem segurança e resultados.
    • Os princípios aprendidos podem ser aplicados no dia a dia para manter uma boa postura.

    FAQ – Perguntas Frequentes sobre Pilates e Postura

    1. Pilates pode melhorar minha postura sozinho?
    Sim, o Pilates pode melhorar a postura, mas o resultado depende da regularidade, da execução correta e da orientação de um profissional.

    2. Quantas vezes por semana devo praticar Pilates para ver resultados?
    O ideal é de 2 a 3 sessões de Pilates por semana. Sessões regulares ajudam no fortalecimento e na manutenção da postura.

    3. Pilates ajuda em casos de escoliose?
    Sim, o Pilates é indicado para melhorar a postura e tonificar o corpo, sempre com exercícios adaptados.

    4. Qual a diferença entre Pilates e RPG para postura?
    O RPG trabalha posturas estáticas e alongamentos prolongados; o Pilates utiliza movimentos controlados, dinâmicos que fortalecem e alongam ao mesmo tempo.

    5. Posso fazer Pilates mesmo tendo dores na lombar?
    Sim, o Pilates pode ser adaptado para dores na lombar, ajudando no fortalecimento dos músculos de suporte.

    6. Pilates é indicado para idosos?
    Sim, com adaptações, o Pilates é seguro e benéfico para idosos, ajudando na mobilidade e no equilíbrio.

    7. Quanto tempo leva para o Pilates melhorar minha postura?
    Depende do caso, mas muitos praticantes notam mudanças na consciência corporal e no alinhamento em poucas semanas.

    8. Preciso de equipamentos especiais para fazer Pilates?
    Não necessariamente. Há o Pilates de solo (Mat Pilates) que exige apenas um colchonete, mas equipamentos podem potencializar os resultados.

  • Boa Postura Para a Saúde: Por que Cuidar da Postura no Dia a Dia?

    Boa Postura Para a Saúde: Por que Cuidar da Postura no Dia a Dia?

    Por que a Postura é tão importante para a Saúde?

    A postura, frequentemente subestimada, desempenha um papel crucial na nossa saúde e bem-estar geral.


    Manter uma boa postura não se resume apenas a uma questão de elegância; é um investimento na saúde da coluna, dos músculos e das articulações.


    Portanto, este artigo aborda a importância da postura no cotidiano, os benefícios de mantê-la adequada e as consequências de sua negligência.


    Por que o Alinhamento Postural é Essencial para a Saúde

    O que é boa postura?

    A boa postura é o alinhamento correto dos segmentos do corpo contra a força da gravidade, seja em pé ou sentado.


    Isso envolve manter a coluna vertebral alinhada, preservando suas curvaturas naturais e evitando a sobrecarga de músculos e articulações.

    Imagem da coluna vertebral mostrando suas curvas fisiológicas em uma vista de perfil e de frente. Curvas importantes para uma boa postura


    Manter uma boa postura é um estado dinâmico que exige consciência e atenção ao longo do dia. Por isso, a postura é essencial para a saúde da coluna.


    Isso significa que preciso estar vigilante 24horas? Não, mas é preciso estar atento principalmente ao permanecer longos períodos sentados ou ao fazer esforços.

    Boa postura não é estar reto

    Uma postura saudável envolve manter as curvas naturais da coluna vertebral.


    A coluna tem três curvas naturais: a cervical (pescoço), a torácica (meio das costas) e a lombar (parte inferior das costas).


    Manter essas curvas em alinhamento ajuda a distribuir o peso do corpo de maneira equilibrada, reduzindo a tensão nos músculos e ligamentos.


    No entanto, ficar completamente reto causa rigidez e desconforto, enquanto uma postura que respeita as curvas naturais promove melhor mobilidade e conforto.


    Assim, a chave para uma boa postura é encontrar um equilíbrio que mantenha a coluna alinhada, mas não excessivamente rígida.

    Atitude postural

    A atitude postural está relacionada a como você projeta sua postura para o mundo. Ela reflete como você se sente e encara o mundo ao seu redor.


    Por exemplo, já viu como os super-heróis se posicionam diante dos vilões, imponentes como verdadeiras fortalezas quase intocáveis?

    Imagem de uma home como uma boa postura mostrando a importância da atitude postural.


    A atitude postural deles é extremamente poderosa e comunica ao mundo a força que aparentam.

    O oposto é a atitude de uma pessoa retraída, excessivamente tímida. Essa pessoa curva sua postura, se fecha como se estivesse se protegendo, se esconde, evita contato visual.


    Essa atitude muitas vezes reflete o estado emocional em que a pessoa se encontra.


    Outras atitudes posturais incluem posturas desleixadas, que demonstram falta de interesse ou preguiça.


    Modificar uma atitude postural não é uma tarefa fácil, e outros profissionais, como psicólogos, podem ajudar nesse processo.

    Alterações posturais

    Alterações posturais são em sua maioria de natureza patológica. Às vezes, a pessoa nasce com uma perna mais curta que a outra ou tem uma alteração na coluna, como escoliose, ou um pé torto congênito que dificulta a maneira de como ela se locomove ou se posiciona.


    Nesses casos, a postura adotada independe da vontade da pessoa; é uma questão anatômica.


    Quanto antes for detectada e tratada essa alteração postural mais favorável é o prognóstico para o paciente.


    Vantagens de Manter o Corpo Bem Alinhado

    A importância de manter uma boa postura está nos inúmeros benefícios que ela proporciona.

    Imagem mostrando a diferença entre uma má postura vs Boa postura


    Além disso, adotar uma postura adequada oferece várias vantagens, como evitar dores nas costas, especialmente na região lombar, e reduzir a tensão muscular.


    Do mesmo modo, uma boa postura contribui para a eficiência respiratória, melhora a circulação sanguínea e facilita a digestão.


    Uma boa postura também aumenta a autoconfiança e melhora a percepção de bem-estar e te deixa mais elegante.


    Consequências de uma Postura Incorreta

    A má postura pode causar uma série de problemas de saúde. Especificamente, ela pode resultar em dores crônicas nas costas, pescoço e ombros, além de aumentar o risco de desenvolver problemas articulares e hérnias de disco.


    Além disso, a má postura pode causar dificuldades respiratórias, fadiga muscular e até mesmo compressão de nervos.


    Para evitar esses problemas, é crucial desenvolver uma disciplina postural e manter cuidados constantes, buscando orientação profissional quando necessário.


    Postura Corporal e Saúde da Coluna

    Como a postura afeta a coluna vertebral?

    A postura corporal tem um impacto direto na saúde da coluna vertebral. Uma má postura pode desalinhá-la, aumentando a pressão sobre discos e articulações.

    Imagem mostrando uma mulher escrevendo no computador com postura incorreta, prejudicando uma boa postura


    Manter uma postura inadequada constantemente pode resultar em dores crônicas, inflamações e até lesões graves, como hérnias de disco.


    Consequentemente a importância de uma boa postura está na sua capacidade de distribuir uniformemente as cargas sobre a coluna, minimizando o risco de sobrecarregar estruturas específicas.


    Assim, para evitar esses problemas, é essencial melhorar a postura e fortalecer os músculos posturais.

    Postura correta no dia a dia

    Adotar uma postura correta no dia a dia é fundamental para manter a saúde da coluna. Veja algumas dicas:

    Ao sentar-se

    Mantenha os pés apoiados no chão ou em um apoio, costas retas e apoiadas no encosto da cadeira.


    Preferencialmente use cadeiras com apoio lombar e que te permitam gerenciar o estresse causado pela posição sentada. Cadeiras com regulagem de inclinação são perfeitas.


    No ambiente de trabalho, ajuste a altura da sua mesa e cadeira para evitar curvar-se ou esticar-se excessivamente.

    Levantar objetos pesados de forma inadequada pode causar sérios danos à coluna. Para evitar lesões, é importante seguir algumas orientações.


    Primeiro, posicione-se o mais próximo possível do objeto, com os pés afastados na largura dos ombros para garantir estabilidade.
    Dobre os joelhos e mantenha a coluna reta, utilizando a força dos quadris e das pernas para levantar o objeto.


    Evite torcer o corpo enquanto levanta e mantenha o objeto próximo ao corpo. Se o objeto for muito pesado, não hesite em pedir ajuda.

    Ficar em pé

    Imagine que você organiza os ossos do seu corpo o mais perfeito possível como se fosse uma pilha de tijolos.


    Se você tentar fazer isso, perceba o tamanho do esforço que é manter essa posição. E respirar? Agora imagine caminhar assim? Horrível, não?


    Com certeza, essa é a maneira que a maioria das pessoas fazem quando tentam arrumar sua postura.


    Há esforço constante e você não conseguirá mantê-la por 2 minutos, sem que apareça alguma dor.

    Como organizar minha postura?

    Imagem mostrando uma mulher organizando uma boa postura

    Organize novamente sua postura como descrito anteriormente, porém agora imagine um único fio de cabelo puxando sua cabeça para o alto, solte seus ombros e imagine que suas clavículas querem sorrir.


    Vá tirando cada vez mais o excesso de esforço da posição. Seus ombros ficam em cima dos seus quadris.
    Esses em cima dos joelhos e dos tornozelos. As articulações não estão presas, mas maleáveis.


    Perceba a rigidez do esforço inicial e vá tirando o excesso de tensão, até que você consiga harmonizar o alinhamento corporal com o conforto de estar alinhado.

    Se você está com a postura bem organizada, mas a respiração está pesada e você começa a ficar ofegante, ela está muito artificial.

    É preciso tirar ainda mais o excesso de tensão muscular provocado pela correção postural.


    Não é uma tarefa fácil e é preciso de treino para alcançar uma postura elegante, econômica e confortável.

    Caminhando

    As pressões dos pés são iguais e distribuídas e quando você for caminhar os pés conduzem o corpo um passo de cada vez.


    Todo e qualquer passo é feito com suavidade como se você quisesse acariciar o solo e não o amassá-lo.


    Imagine que há alguém atrás de você e você quer mostrar a sola do seu calçado pra ela.


    Avance um passo de cada vez e sinta seu corpo ser conduzido pelos seus pés. Sua cintura está relaxada, seus braços balançam livremente.


    Seu olhar está no horizonte e observa tanto o alto, quanto o baixo e também a sua frente.


    Isso fara você caminhar mais harmonizado, mas digo, é preciso treinar.


    Práticas para Garantir a Saúde da Sua Coluna

    Existem diversas práticas que podem auxiliar na manutenção de uma boa postura e garantir a saúde da coluna.


    A reeducação postural global (RPG Souchard) entre outras técnicas posturais é eficaz para organizar a postura e reequilibrar os músculos posturais.


    Praticar exercícios físicos regularmente, como Pilates e Yoga, pode melhorar a flexibilidade, o equilíbrio e a consciência corporal.


    Ao dormir, utilize um travesseiro adequado para manter a coluna alinhada e evitar tensões musculares.


    Aliás, colocar um travesseiro entre as pernas, melhora o alinhamento da coluna e da mais conforto ao permanecer deitado.


    A Importância do Trabalho de Força

    O trabalho de força é essencial para manter uma boa postura.

    Fortalecer os músculos, especialmente os do core (abdômen e região lombar), ajuda a sustentar a coluna e a manter o alinhamento correto do corpo.


    Por exemplo, exercícios como agachamentos, pranchas e levantamento terra são particularmente eficazes para desenvolver a força necessária para uma postura adequada.


    Além disso, músculos fortes reduzem a carga sobre as articulações e discos vertebrais, prevenindo dores e lesões.


    Ergonomia e a Saúde

    A ergonomia é essencial para promover a saúde postural tanto no ambiente de trabalho quanto em atividades diárias.


    Seu objetivo é adaptar o ambiente e as ferramentas de trabalho às características físicas de cada pessoa, minimizando o risco de lesões e desconfortos.


    Assim, investir em móveis e equipamentos ergonômicos, como cadeiras ajustáveis e teclados específicos, pode melhorar significativamente a postura e prevenir dores nas costas.


    Estratégias para Corrigir e Melhorar o Alinhamento Corporal

    Exercícios para fortalecer os músculos posturais

    Para corrigir a postura e fortalecer os músculos posturais, é possível incorporar diversos exercícios à rotina diária.


    Por exemplo, exercícios de fortalecimento do core, como prancha e abdominais, ajudam a estabilizar a coluna vertebral e melhorar o alinhamento.


    Já os exercícios para fortalecer os músculos das costas, como remada e latpull-down, auxiliam na manutenção de uma boa postura e na prevenção de dores.

    Uma mulher fazendo exercício em um aparelho de musculação para trabalhar a boa postura


    Por fim, a consistência na prática desses exercícios é fundamental para obter resultados.

    Alongamentos para a saúde da coluna

    Os alongamentos são essenciais para manter a flexibilidade da coluna vertebral e aliviar a tensão muscular.


    Dessa forma, alongamentos preferivelmente devem ser realizados levando em consideração as cadeias musculares envolvidas.


    Isso ajuda a melhorar a postura e reduzir o risco de dores. Além disso, alongar os músculos isquiotibiais e os flexores do quadril também contribui para um melhor alinhamento postural.


    Ao realizar os alongamentos, é importante manter a postura correta e evitar forçar os movimentos, sempre buscando a orientação de um profissional qualificado.

    Adotar hábitos saudáveis para uma boa postura

    Além de exercícios e alongamentos, é essencial adotar hábitos saudáveis para manter uma boa postura.


    Manter um peso adequado ajuda a reduzir a carga sobre a coluna vertebral e as articulações, facilitando a adoção de uma postura correta.


    Do mesmo modo, evitar o uso excessivo de saltos altos e carregar bolsas pesadas em um único ombro também contribui para prevenir, tensões musculares e desequilíbrios posturais.


    Maus hábitos posturais são como cigarro, a continuidade no longo prazo torna-os em problemas irreversíveis.


    Crianças: devo me preocupar com a postura?

    A menos que a causa do problema postural seja patológica, não há motivo para alarme.

    No entanto, é fato que as crianças de hoje não correm nem brincam como antigamente. Muitas têm uma rotina tão cheia quanto a de um adulto.


    Qual o problema?
    A falta de tempo para explorar o potencial do próprio corpo. É cada vez mais comum ver crianças que não sabem subir em árvores ou pular muros.

    O desenvolvimento motor acaba ficando em segundo plano, e a motricidade é frequentemente negligenciada.


    E quanto à postura?
    Uma coisa é certa: crianças têm uma postura naturalmente maravilhosa e uma incrível capacidade de imitar os adultos.

    Por isso, é essencial estar atento à sua própria postura quando estiver perto delas. Afinal, elas são verdadeiras especialistas em copiar o que veem.


    Existe postura perfeita?

    Depende. A postura de uma bailarina é perfeita para o balé — mas seria estranho vê-la caminhando pela rua como se estivesse em cena.


    Além disso, manter essa “bela” postura exige habilidade, treino e uma resistência física invejável. Ou seja, é uma postura esteticamente admirável, mas artificial.


    E o que isso nos ensina?
    Posturas artificiais não se sustentam no longo prazo. Uma coisa é certa: dores vão aparecer — seja por negligência postural ou por excesso de correção.

    O esforço exagerado cobra seu preço e, inevitavelmente, leva à mudança.


    A bailarina é um exemplo brilhante de que a postura corporal pode ser perfectível — ou seja, pode ser aprimorada continuamente.

    Uma linda bailarina com uma boa postura, fazendo uma apresentação de balé.

    Mas, como já mencionado, isso exige tempo e treinamento.
    Trabalhar a postura não é diferente.


    É uma busca constante pela melhor organização corporal, com o mínimo de esforço possível.

    Essa habilidade leva anos para ser adquirida e envolve a busca pelo “perfeito” — que, vale lembrar, é definido por cada pessoa.


    Então, seja constantemente perfectível. Evoluir é mais importante do que alcançar um ideal fixo.


    Conclusão

    Cuidar da postura vai muito além de uma questão estética: é um investimento direto na saúde da coluna, músculos e articulações, refletindo também no bem-estar físico e emocional.


    Uma boa postura melhora a respiração, previne dores, aumenta a autoconfiança e contribui para uma vida mais saudável e equilibrada.


    Por outro lado, negligenciar a postura pode gerar consequências sérias, como dores crônicas, lesões e limitações funcionais.


    Felizmente, é possível prevenir e corrigir problemas posturais por meio de hábitos saudáveis, prática regular de exercícios, fortalecimento muscular, alongamentos, cuidados ergonômicos e, quando necessário, acompanhamento profissional.


    Adotar pequenas mudanças no dia a dia, como se sentar corretamente, caminhar de forma leve, respeitar as curvaturas naturais da coluna e reduzir o excesso de esforço involuntário, faz toda a diferença a longo prazo.


    Portanto, dedique atenção à sua postura, pois ela é a base para manter seu corpo alinhado, funcional e saudável ao longo dos anos.

    Douglas Santos 1

    Texto escrito por

    Douglas Santos

    Fisioterapeuta

  • Como Tratar Dor no Calcanhar- Fasceíte Plantar: Evidências e Alternativas [2025]

    Como Tratar Dor no Calcanhar- Fasceíte Plantar: Evidências e Alternativas [2025]


    O Que Você Precisa Saber

    • Realidade importante: Cerca de 80% dos casos melhoram em 12 meses com tratamento conservador apropriado – muito mais do que sem tratamento
    • Alongamento tem melhor evidência: Exercícios de alongamento da fáscia plantar combinados com educação mostraram os melhores resultados em estudos robustos
    • O que pode ajudar: Alongamento específico, fortalecimento de panturrilha, calçados adequados e redução temporária de carga têm suporte científico moderado
    • O que tem evidência limitada: Ondas de choque têm alguma evidência mas estudos são de qualidade variável; infiltrações oferecem alívio temporário mas não mudam o curso da doença
    • Cirurgia raramente necessária: Apenas 5-10% dos casos precisam de intervenção cirúrgica, geralmente após 12+ meses de sintomas persistentes
    • Tratamento conservador vale a pena: Exercícios simples e modificações de atividade aceleram a recuperação comparado a não fazer nada

    Introdução: A Frustração da Dor Matinal no Calcanhar

    Uma mulher sentindo dor no calcanhar ao caminhar por causa da Fasceíte Plantar

    Você conhece essa cena: acorda, coloca o pé no chão, e uma facada atravessa seu calcanhar. Os primeiros passos são tortura. Depois de alguns minutos andando, melhora um pouco. Mas volta a doer após ficar muito tempo em pé ou ao final do dia.

    “É fasceíte plantar”, diz o médico. Ou fascite. Ou fasciose. Cada profissional parece usar um nome diferente (vamos explicar por quê). E então começam as recomendações: palmilha, gelo, alongamento, anti-inflamatório, onda de choque, infiltração… Você tenta tudo e a dor continua.

    Aqui vai uma verdade que pode parecer desanimadora mas é na verdade libertadora: fasceíte plantar leva tempo para curar, mas a grande maioria melhora. A ciência mostra que tratamentos conservadores bem conduzidos aceleram a recuperação comparado a não fazer nada, mas não há cura milagrosa em semanas.

    Isso significa que você está condenado a sofrer? Não. Mas significa que você precisa de expectativas realistas e estratégia baseada no que realmente tem evidência, não em promessas vazias de cura rápida.

    Neste artigo, vou te mostrar exatamente o que a ciência diz (e não diz) sobre cada tratamento disponível. Prepare-se para descobrir que alguns tratamentos populares têm evidência diferente do que você imagina.

    O Que a Ciência Diz Sobre Fasceíte Plantar?

    Terminologia: Fasceíte, Fascite ou Fasciose?

    Primeiro, vamos esclarecer a confusão de nomes. Tradicionalmente chamada de “fascite” (inflamação da fáscia), estudos histológicos modernos mostram que raramente há inflamação verdadeira. O tecido apresenta degeneração colágena, não inflamação aguda. Por isso, o termo correto seria “fasciose” ou “fasciopatia”.

    Mas “fasceíte plantar” ainda é o termo mais usado clinicamente e o que pacientes procuram, então vamos usá-lo aqui – sabendo que o nome não reflete exatamente a fisiopatologia.

    História Natural: O Que Acontece Com e Sem Tratamento?

    Dados mais importantes que você precisa saber:

    COM tratamento conservador apropriado:

    • Trojian & Tucker (2019) relatam que 80% dos pacientes melhoram em 12 meses com tratamento conservador
    • StatPearls (2024) menciona que cerca de 75% resolvem em 12 meses com cuidados apropriados
    • American Academy of Family Physicians (2019) confirma taxa de melhora de 80% em 12 meses

    SEM tratamento ou tratamento inadequado: Hansen et al. (2018) acompanharam 174 pacientes por 15 anos e encontraram persistência preocupante de sintomas:

    • 80.5% ainda eram sintomáticos após 1 ano
    • 50% ainda sintomáticos após 5 anos
    • 44% ainda sintomáticos após 15 anos

    O que isso significa? Tratamento conservador BEM FEITO realmente faz diferença. Não é apenas “esperar passar” – é seguir um protocolo que acelera significativamente a recuperação.

    Evidências Para Tratamentos Comuns

    Alongamento da fáscia plantar (MELHOR EVIDÊNCIA):

    Morrissey et al. (2021), em estudo robusto publicado no British Journal of Sports Medicine, demonstraram que a combinação de:

    • Alongamento específico da fáscia plantar
    • Taping
    • Educação do paciente

    Produziu efeito grande no alívio da dor no curto prazo (SMD 1.21). Este é o tratamento com a evidência mais robusta atualmente disponível.

    O alongamento deve ser feito com o joelho estendido, puxando os dedos em direção à canela, mantendo por 10 segundos, repetindo 10 vezes, 3 vezes ao dia.

    Exercícios de fortalecimento (EVIDÊNCIA MODERADA):

    Rathleff et al. (2015) mostraram que exercícios de fortalecimento de alta carga da panturrilha (toe raises lentos e controlados) foram superiores ao alongamento isolado em 3 meses de acompanhamento.

    Importante: Enquanto Morrissey 2021 enfatiza alongamento como base, Rathleff 2015 sugere que fortalecimento pode ser complementar ou alternativa. Mais estudos são necessários para definir qual abordagem é superior, mas ambas têm algum suporte científico.

    Órteses e palmilhas (EVIDÊNCIA MODERADA, EFEITO PEQUENO):

    Whittaker et al. (2018), em revisão sistemática publicada no British Journal of Sports Medicine (não Cochrane), analisaram 19 estudos com 1.660 participantes e encontraram:

    • Evidência de qualidade moderada que palmilhas reduzem dor no médio prazo
    • Efeito pequeno mas estatisticamente significativo (SMD -0.27)
    • Não há diferença significativa entre palmilhas customizadas e pré-fabricadas

    Conclusão prática: Palmilhas podem ajudar modestamente. Se você for experimentar, comece com pré-fabricadas (mais baratas) antes de investir em customizadas caras.

    Anti-inflamatórios (AINEs):

    Evidência de benefício é fraca e de curto prazo. Como fasceíte não é processo inflamatório verdadeiro, faz sentido que anti-inflamatórios tenham efeito limitado. Podem ajudar no alívio sintomático nas primeiras semanas, mas não alteram o curso da doença.

    Infiltração de corticóide (ALÍVIO TEMPORÁRIO, NÃO CURA):

    David et al. (2017), em revisão Cochrane, encontraram:

    • Evidência de baixa qualidade para infiltração de corticóide
    • Melhora da dor no curto prazo comparado a placebo
    • Efeitos de longo prazo incertos

    Riscos documentados:

    • Ruptura de fáscia plantar: 2-5% dos casos segundo diversos estudos
    • Atrofia do coxim adiposo do calcanhar (pode causar dor crônica)
    • Benefício apenas temporário (4-8 semanas geralmente)

    Quando considerar: Apenas para alívio temporário em situações específicas (evento importante), não como tratamento de longo prazo. Limite a 1-2 infiltrações.

    Ondas de choque extracorpóreas (EVIDÊNCIA DE QUALIDADE VARIÁVEL):

    Aqui a evidência é complexa:

    • Guimarães et al. (2023) avaliaram 236 estudos sobre TODAS as intervenções para fasceíte plantar e concluíram que ondas de choque foram a única modalidade com eficácia demonstrada no médio e longo prazo
    • Li et al. (2018), em network meta-análise, mostraram que ondas de choque foram superiores a placebo

    Limitações importantes:

    • Qualidade dos estudos varia consideravelmente
    • Protocolos diferem muito entre estudos
    • Estudos financiados por fabricantes tendem a mostrar melhores resultados
    • Alto custo e disponibilidade limitada

    Conclusão: Ondas de choque têm alguma evidência de eficácia, mas qualidade metodológica dos estudos é preocupação. Considere após falha de tratamentos conservadores mais simples.

    Cirurgia (liberação da fáscia plantar):

    Reservada para casos refratários (12+ meses sem melhora). Taxa de sucesso: 70-85%, mas com risco de complicações (6-12%) incluindo fraqueza do arco, neuroma e dor persistente. Deve ser último recurso.

    Evidências Contrárias e Lacunas Importantes

    Problema metodológico grave:

    Rhim et al. (2021) analisaram 96 revisões sistemáticas sobre fasceíte plantar e descobriram que:

    • 75% tinham qualidade criticamente baixa segundo critérios AMSTAR2
    • Problemas incluem: falta de registro de protocolo, busca incompleta, não avaliação adequada de viés

    Isso significa que devemos interpretar com cautela até mesmo revisões sistemáticas sobre este tema.

    Viés de publicação:

    Análise de registros de estudos mostrou que estudos com resultados negativos para tratamentos caros (ondas de choque, PRP) são significativamente menos prováveis de serem publicados.

    Definição inconsistente de “sucesso”:

    Alguns estudos consideram sucesso “redução de 30% na dor”, outros “50%”, outros “retorno às atividades”. Isso dificulta comparações e pode superestimar eficácia.

    Por Que Tanta Divergência nos Resultados da Fasceíte Plantar?

    1. História natural favorável confunde interpretação:

    Quando muitos melhoram com o tempo, pode ser difícil separar efeito do tratamento do curso natural. Mas estudos mostram que tratamento apropriado ACELERA a recuperação comparado a não fazer nada (veja dados de Hansen 2018 vs Trojian 2019).

    2. Efeito placebo é poderoso:

    Para dor musculoesquelética, placebo pode produzir melhora de 30-40%. Tratamentos impressionantes (máquinas caras, injeções) têm efeito placebo maior.

    3. Conflitos de interesse abundantes:

    Estudos sobre ondas de choque frequentemente são financiados por fabricantes. Estudos sobre palmilhas, por empresas de órteses. Resultados tendem a favorecer o financiador.

    4. Heterogeneidade de pacientes:

    “Fasceíte plantar” provavelmente engloba várias condições com causas distintas. O que funciona para um subtipo pode não funcionar para outro.

    5. Falta de biomarcadores:

    Não sabemos predizer quem vai melhorar rápido, quem vai cronificar, ou quem responderá a qual tratamento. Tudo é tentativa e erro.

    Como Fasceíte Plantar Funciona ?

    Fisiopatologia Atual

    Contrário à crença popular, não é simples inflamação. Estudos histológicos mostram:

    Degeneração do colágeno:

    Fáscia plantar apresenta desorganização das fibras colágenas, necrose mucoide (degeneração do tecido) e neovascularização (formação de novos vasos sanguíneos pequenos e frágeis).

    É sobre capacidade de carga:

    A teoria mais aceita atualmente é que a fáscia simplesmente não está suportando a carga mecânica imposta. Pode ser por:

    • Aumento súbito de atividade
    • Excesso de peso corporal
    • Calçados inadequados
    • Fraqueza muscular intrínseca do pé
    • Biomecânica desfavorável

    Sensibilização do sistema nervoso:

    Em casos crônicos, pode haver sensibilização central – o sistema nervoso amplifica sinais de dor mesmo quando tecido já está se recuperando.

    Por Que a Fasceíte PlantarDói Mais ao Acordar?

    Durante a noite, o pé fica em flexão plantar (ponta do pé para baixo), permitindo “encurtamento” relativo da fáscia. Ao colocar peso nos primeiros passos, há alongamento súbito que causa dor. Depois de alguns minutos, o tecido “aquece” e dor diminui.

    Isso explica por que splints noturnos (que mantêm pé em dorsiflexão) teoricamente ajudariam. Mas estudos mostram benefícios mínimos e desconfortáveis – maioria dos pacientes não tolera usar.

    Riscos e Considerações Importantes de Cada Tratamento

    Infiltração de Corticóide

    Riscos documentados:

    • Ruptura de fáscia plantar: 2-5% dos casos
    • Atrofia do coxim adiposo do calcanhar: pode causar dor crônica permanente
    • Benefício apenas temporário (4-8 semanas)
    • Risco aumenta com infiltrações repetidas

    Quando considerar:

    Apenas para alívio temporário em eventos específicos (casamento, viagem importante) quando dor é incapacitante. Não para tratamento de longo prazo.

    Ondas de Choque

    Riscos físicos baixos:

    • Dor durante aplicação (pode ser intensa)
    • Equimoses e inchaço temporário
    • Raramente: lesão nervosa

    Consideração custo-benefício:

    Custo elevado (R$ 1.500-3.000) deve ser pesado contra alongamento (gratuito) que tem evidência robusta. Considere ondas de choque após falha de 6 meses de tratamento conservador bem feito.

    Cirurgia

    Riscos significativos:

    • Fraqueza do arco longitudinal (25-30% dos casos)
    • Dor lateral persistente
    • Neuromas (crescimento anormal de nervo)
    • Taxa de insatisfação: 10-20%
    • Recuperação: 6-12 semanas sem apoio total

    Indicação apropriada:

    Apenas após 12+ meses de tratamento conservador bem conduzido, sintomas incapacitantes persistentes, e expectativas realistas sobre recuperação.

    Exercícios Intensivos

    Possíveis problemas:

    • Exacerbação temporária da dor (comum nas primeiras 2 semanas)
    • Se mal dosados, podem piorar quadro
    • Exigem consistência (difícil de manter)

    Como minimizar:

    Progressão gradual, ajuste de carga conforme tolerância, supervisão inicial de fisioterapeuta.

    Para Quem Cada Tratamento Funciona Melhor?

    Um fisioterapeuta avaliando o pé do paciente com fasceíte plantar

    Quem Tem Melhor Prognóstico Geral

    Fatores favoráveis:

    • Sintomas há menos de 6 meses
    • IMC < 30
    • Sem doenças sistêmicas (diabetes, artrite)
    • Dor unilateral
    • Atividade desencadeante clara e modificável
    • Sem comprometimento neurológico

    Fatores de mau prognóstico:

    • Sintomas há mais de 12 meses
    • Obesidade significativa
    • Diabetes
    • Trabalho que exige ficar em pé longos períodos
    • Dor bilateral
    • Múltiplos tratamentos prévios falhos

    Estratificação de Tratamento por Fase

    Fase aguda (0-6 semanas):

    • Redução temporária de carga
    • Calçado com suporte adequado
    • Anti-inflamatório curto prazo se dor intensa
    • Gelo após atividades
    • Início GRADUAL de alongamento da fáscia plantar

    Fase subaguda (6 semanas – 6 meses):

    • Foco em alongamento progressivo da fáscia plantar e panturrilha
    • Adicionar exercícios de fortalecimento se tolerado
    • Retorno gradual às atividades
    • Palmilha se proporcionar conforto
    • Considerar fisioterapia para educação e progressão

    Fase crônica (> 6 meses):

    • Reavaliação diagnóstica (pode não ser fasceíte)
    • Programa intensivo de alongamento + fortalecimento
    • Considerar ondas de choque se outros métodos falharam
    • Avaliar fatores psicossociais (catastrofização, cinesiofobia)
    • Cirurgia apenas se > 12 meses e incapacitante

    Tratamentos da Fasceíte Plantar Que Você Pode Fazer Sozinho

    Exercícios Com Melhor Suporte Científico

    1. Alongamento da fáscia plantar (EVIDÊNCIA FORTE):

    • Sentado, cruze o pé afetado sobre o joelho oposto
    • Com a mão, puxe os dedos do pé em direção à canela
    • Mantenha o joelho ESTENDIDO
    • Segure por 10 segundos
    • 10 repetições, 3 vezes ao dia
    • Evidência: FORTE (Morrissey 2021)

    2. Alongamento da panturrilha:

    • Pé afetado atrás, perna estendida
    • Pé da frente flexionado
    • Incline-se para frente mantendo calcanhar de trás no chão
    • Segure 30 segundos
    • 3 repetições, 2-3 vezes ao dia
    • Evidência: MODERADA

    3. Fortalecimento de panturrilha em carga (EVIDÊNCIA MODERADA):

    • Subir na ponta dos pés (ambos os pés)
    • Descer lentamente em um pé só (com o pé afetado)
    • 3 séries de 15 repetições
    • 2x ao dia
    • Progresso lento e controlado
    • Evidência: MODERADA (Rathleff 2015)

    4. Massagem com bola:

    • Rolar bola de tênis sob arco do pé
    • Pressão moderada
    • 2-3 minutos
    • Pode aliviar sintomas temporariamente
    • Evidência: BAIXA, mas baixo risco e pode confortar

    Modificações de Calçado (Evidência Moderada)

    O que funciona:

    • Calçados com drop moderado (diferença de 8-10mm entre calcanhar e antepé)
    • Sola com amortecimento adequado
    • Suporte de arco mínimo a moderado
    • Evitar andar descalço em superfícies duras

    O que NÃO tem evidência:

    • Calçados minimalistas ou “barefoot” (podem piorar)
    • Sandálias ortopédicas caríssimas (não superiores a calçados adequados convencionais)
    • Chinelos com arco acentuado (desconfortáveis e sem evidência clara)

    Redução de Peso (Se Aplicável)

    Perda de 5-10% do peso corporal mostra correlação com melhora dos sintomas em estudos observacionais. Não é tratamento direto, mas fator contributivo importante se você está acima do peso.

    Alternativas e Abordagens Realistas para a Fasceíte Plantar

    fisioterapeuta tratando uma Fasceíte Plantar

    O Que Tem Evidência Robusta

    Alongamento + educação + taping (PRIMEIRA LINHA):

    Segundo Morrissey 2021, esta é a combinação com melhor evidência. Fisioterapeuta pode ensinar técnica correta de alongamento, aplicar taping e educar sobre progressão de atividades.

    Programa de exercícios domiciliares supervisionados:

    Fisioterapeuta ensina execução correta de alongamento e fortalecimento, você faz em casa. Custo-benefício superior a sessões intermináveis de fisioterapia passiva.

    Tratamento de fatores contribuintes:

    Se você tem diabetes mal controlado, otimize controle glicêmico. Se usa calçados inadequados no trabalho, troque. Se ganhou peso recentemente, trabalhe nisso. Tratar causas subjacentes pode ser tão ou mais eficaz que tratar sintoma.

    Abordagens Integrativas Sensatas

    Combinação razoável baseada em evidência:

    1. Alongamento da fáscia plantar (base do tratamento – evidência forte)
    2. Alongamento da panturrilha
    3. Fortalecimento progressivo quando tolerado
    4. Taping (aplicado por profissional)
    5. Educação sobre progressão de atividades
    6. Calçado adequado
    7. Ajuste de carga temporário
    8. Anti-inflamatório curto prazo apenas se dor aguda intensa

    Quando considerar tratamentos mais invasivos:

    Apenas após 6+ meses de abordagem conservadora BEM CONDUZIDA (não apenas “esperar passar”), sem melhora, e sintomas significativamente incapacitantes.

    O Que NÃO Vale a Pena (Evidência Insuficiente)

    • Suplementos (colágeno, vitaminas): sem evidência específica para fasceíte
    • Acupuntura: evidência de baixa qualidade, efeito similar a placebo
    • Laser de baixa intensidade: evidência fraca e conflitante
    • PRP (plasma rico em plaquetas): estudos mostram resultados não superiores a placebo
    • Dry needling: evidência insuficiente
    • Kinesio taping sozinho: pode dar sensação de suporte, mas sem efeito na recuperação (diferente do taping rígido usado por Morrissey)

    FAQ: Perguntas Honestas, Respostas Diretas

    Fasceíte plantar tem cura ou é para sempre?

    SIM, tem cura. Cerca de 80% dos casos resolvem em 12 meses com tratamento conservador apropriado. Apenas 5-10% cronificam. Mas “cura” não significa rápido – expectativa realista é meses, não semanas.

    Qual o melhor tratamento segundo a ciência?

    Alongamento específico da fáscia plantar combinado com educação e taping tem a evidência mais robusta (Morrissey 2021). Fortalecimento tem evidência moderada. Estes devem ser a base do tratamento antes de considerar opções mais caras ou invasivas.

    Palmilha ortopédica funciona?

    DEPENDE do que você espera. Estudos mostram efeito pequeno mas real na redução da dor. Palmilhas pré-fabricadas são tão eficazes quanto customizadas caras. Podem proporcionar conforto, mas não aceleram muito a recuperação. Experimente pré-fabricadas primeiro.

    Devo fazer infiltração de corticóide?

    DEPENDE. Se você tem evento importante em 2-4 semanas e dor está incapacitante, pode ser opção para alívio temporário. Mas não é solução de longo prazo, tem riscos (ruptura de fáscia 2-5%, atrofia de gordura do calcanhar), e não acelera recuperação.

    Ondas de choque vale o investimento?

    DEPENDE DA SITUAÇÃO. Tem alguma evidência de eficácia, mas qualidade dos estudos varia. Custo (R$ 1.500-3.000) é alto. Recomendação: primeiro tente 6 meses de alongamento + fortalecimento + ajustes de calçado (praticamente gratuito). Se não melhorar, considere ondas de choque.

    Posso fazer exercícios mesmo com dor?

    SIM. Dor leve a moderada durante exercícios de alongamento (até 5/10) é aceitável e esperada. Regra: se dor não piora progressivamente e volta ao nível basal em 24h, você pode continuar. Se piora muito ou persiste, reduza intensidade.

    Quanto tempo até melhorar?

    REALISTA com tratamento conservador apropriado:

    • 3-6 meses para melhora significativa
    • 9-18 meses para resolução completa
    • SEM tratamento adequado: pode persistir por anos (veja dados de Hansen 2018)

    Quem promete “cura em 4 semanas” está ignorando evidências ou vendendo algo.

    Preciso parar de correr/caminhar completamente?

    NÃO necessariamente. Redução temporária de volume/intensidade é sensata, mas imobilização total não é recomendada. Ajuste atividade para nível tolerável e aumente gradualmente conforme melhora. Continue com alongamento mesmo nos dias de descanso.

    Alongamento é melhor que fortalecimento?

    A evidência atual sugere que alongamento tem suporte mais robusto (Morrissey 2021 – efeito grande). Fortalecimento mostrou resultados promissores em alguns estudos (Rathleff 2015). Melhor abordagem: começar com alongamento como base, adicionar fortalecimento como complemento quando tolerado.

    Conclusão: Expectativas Realistas e Tratamento Ativo da Fasceíte Plantar

    Fasceíte plantar é condição frustrante que exige paciência, mas temos tratamentos com evidência real de eficácia. A ciência mostra claramente:

    O que sabemos:

    • Tratamento conservador apropriado acelera recuperação – 80% melhoram em 12 meses vs 80% AINDA sintomáticos sem tratamento
    • Alongamento da fáscia plantar tem a melhor evidência (efeito grande – Morrissey 2021)
    • Fortalecimento tem evidência moderada como complemento ou alternativa
    • Fatores modificáveis (peso, calçado, carga) realmente importam

    O que não sabemos:

    • Por que alguns cronificam e outros não
    • Qual protocolo específico funciona melhor para qual subtipo
    • Como predizer resposta individual a tratamentos

    Armadilhas a evitar:

    • Busca por “cura rápida” pulando alongamento básico para tratamentos caros
    • Infiltrações repetidas de corticóide (risco de ruptura e atrofia)
    • Dependência de tratamentos passivos sem fazer exercícios ativos
    • Expectativas irrealistas de resolução em semanas
    • Achar que “não fazer nada” é equivalente a tratamento ativo

    Abordagem sensata baseada em evidência:

    1. Comece com o que tem melhor evidência – alongamento da fáscia plantar (3x/dia, todo dia)
    2. Adicione educação – entenda a condição, expectativas realistas, progressão gradual
    3. Use taping se tiver acesso a fisioterapeuta
    4. Faça ajustes práticos – calçado adequado, redução temporária de carga
    5. Adicione fortalecimento quando alongamento estiver confortável
    6. Seja consistente – exercícios funcionam se feitos regularmente por meses
    7. Trate fatores subjacentes – peso, diabetes, biomecânica do trabalho
    8. Palmilhas pré-fabricadas se quiser conforto extra (não espere milagre)
    9. Considere tratamentos caros/invasivos apenas após 6-12 meses de conservador BEM FEITO

    A diferença entre “esperar passar” e tratamento ativo:

    Hansen (2018) mostrou que 80% ainda tinham sintomas após 1 ano quando não tratados adequadamente. Trojian (2019) mostrou que 80% melhoram em 12 meses COM tratamento apropriado. A diferença está em FAZER o tratamento conservador, não apenas esperar.

    Mensagem final:

    Fasceíte plantar testa sua paciência e consistência. Não há atalho. Mas HÁ tratamentos que funcionam – alongamento sistemático da fáscia plantar, progressão gradual de fortalecimento, ajustes de carga e calçado.

    Para 80% das pessoas que fazem o tratamento apropriado, ela vai embora em 12 meses. Para os outros 20%, pode demorar mais ou requerer tratamentos adicionais. Mas desistir do básico para pular para tratamentos caros raramente é a solução.

    Comece com alongamento hoje. Seja consistente. Tenha paciência. A evidência está do seu lado.


    Referências Científicas

    1. Morrissey D, et al. “Management of plantar heel pain: a best practice guide informed by a systematic review, expert clinical reasoning and patient values.” British Journal of Sports Medicine. 2021;55(19):1106-1118. DOI: 10.1136/bjsports-2019-101970 Acesso: Aberto (link alternativo PubMed) | Conflito: Nenhum declarado
    2. Hansen L, et al. “Long-Term Prognosis of Plantar Fasciitis: A 5-, 8-, and 15-Year Follow-up Study.” Orthopaedic Journal of Sports Medicine. 2018;6(3). DOI: 10.1177/2325967118757983 Acesso: Aberto | Conflito: Nenhum
    3. Trojian T, Tucker AK. “Plantar Fasciitis.” American Family Physician. 2019;99(12):744-750. PMID: 31194492 Acesso: Aberto | Conflito: Nenhum
    4. Whittaker GA, et al. “Foot orthoses for plantar heel pain: a systematic review and meta-analysis.” British Journal of Sports Medicine. 2018;52(5):322-328. DOI: 10.1136/bjsports-2016-097355 Acesso: Aberto | Conflito: Nenhum
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    6. Li X, et al. “Comparative effectiveness of extracorporeal shock wave, ultrasound, low-level laser therapy, noninvasive interactive neurostimulation, and pulsed radiofrequency treatment for treating plantar fasciitis: A systematic review and network meta-analysis.” Medicine (Baltimore). 2018;97(43):e12819. DOI: 10.1097/MD.0000000000012819 Acesso: Aberto | Conflito: Nenhum declarado
    7. Guimarães JS, et al. “Effects of therapeutic interventions on pain due to plantar fasciitis: A systematic review and meta-analysis.” Clinical Rehabilitation. 2023;37(6):727-746. DOI: 10.1177/02692155221143865 Acesso: Fechado | Conflito: Nenhum declarado
    8. Rhim HC, et al. “A Systematic Review of Systematic Reviews on the Epidemiology, Evaluation, and Treatment of Plantar Fasciitis.” Life (Basel). 2021;11(12):1287. DOI: 10.3390/life11121287 Acesso: Aberto | Conflito: Nenhum
    9. Rathleff MS, et al. “High-load strength training improves outcome in patients with plantar fasciitis: A randomized controlled trial with 12-month follow-up.” Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports. 2015;25(3):e292-300. DOI: 10.1111/sms.12313 Acesso: Fechado | Conflito: Nenhum declarado
    10. Sweeting D, et al. “The effectiveness of manual stretching in the treatment of plantar heel pain: a systematic review.” Journal of Foot and Ankle Research. 2011;4:19. DOI: 10.1186/1757-1146-4-19 Acesso: Aberto | Conflito: Nenhum
    11. Buchanan BK, Sina RE, Kushner D. “Plantar Fasciitis.” In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan. Updated 2024 Jan 7. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK431073/ Acesso: Aberto | Conflito: N/A
    12. American Academy of Family Physicians. “Plantar Fasciitis and Bone Spurs.” AFP Clinical Guidelines. 2019. Disponível em:https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2019/0615/p744.html Acesso: Aberto | Conflito: N/A

    Última atualização: Janeiro 2025
    Conflitos de interesse: O autor não possui vínculos comerciais com clínicas, fabricantes de órteses, equipamentos ou serviços mencionados
    Nota de transparência: Este artigo foi escrito para empoderar pacientes com informação baseada em evidências, não para promover ou desencorajar tratamentos específicos. Todas as afirmações foram verificadas contra fontes primárias.



    ⚠️ AVISO IMPORTANTE

    Dor no calcanhar pode ter outras causas além de fasceíte plantar (neuroma de Baxter, fratura de estresse, artrite, síndrome do túnel do tarso, bursite calcânea, atrofia do coxim adiposo). Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação diagnóstica apropriada.

    Procure atendimento médico se você tem:

    • Dor persistente por mais de 2 semanas sem melhora
    • Febre associada à dor no calcanhar
    • Vermelhidão ou inchaço significativo
    • Sintomas neurológicos (formigamento, dormência, fraqueza)
    • Dor que piora progressivamente mesmo com repouso
    • História de trauma recente
    • Incapacidade de suportar peso no pé

    Sempre consulte profissional qualificado antes de iniciar tratamentos. Este artigo não substitui consulta médica ou fisioterapêutica individualizada.


    Sobre a Metodologia Deste Artigo

    Processo de verificação:

    1. Todas as afirmações quantitativas foram verificadas contra fontes primárias
    2. Referências foram acessadas e lidas na íntegra quando disponíveis
    3. Discrepâncias entre afirmações e fontes foram identificadas e corrigidas
    4. Qualidade das evidências foi avaliada (forte, moderada, baixa, insuficiente)
    5. Conflitos de interesse dos estudos foram verificados e reportados

    Limitações reconhecidas:

    • Algumas referências estão em acesso fechado (indicado onde aplicável)
    • Campo em evolução – novas evidências podem surgir
    • Heterogeneidade de estudos dificulta conclusões definitivas
    • Artigo reflete consenso atual mas pode requerer atualizações futuras

    Compromisso com precisão: Se você identificar alguma imprecisão nas informações ou citações deste artigo, por favor reporte para que possamos corrigir. A precisão científica é prioridade máxima.

  • Push-Ups Suspensos: Uma Nova Maneira de Fortalecer seu Corpo

    Push-Ups Suspensos: Uma Nova Maneira de Fortalecer seu Corpo

    Tempo de Leitura: 5 minutos

    Os push-ups, ou flexões de braço, são um dos exercícios mais conhecidos para fortalecer o corpo. Porém, você já ouviu falar dos push-ups suspensos? Esse tipo de exercício utiliza fitas de suspensão para aumentar o desafio e ativar ainda mais os músculos. Recentemente, estudos mostraram que os push-ups suspensos não só fortalecem os braços, mas também são incrivelmente eficazes para treinar os músculos do abdômen.

    Neste artigo, exploramos o que são os push-ups suspensos, seus benefícios, limitações e como você pode incorporá-los ao seu treino. Além disso, trazemos uma análise crítica dos principais resultados de um estudo científico sobre o tema.

    Push-Ups Suspensos

    O que são Push-Ups Suspensos?

    Os push-ups suspensos são uma variação das flexões tradicionais, realizadas com equipamentos de suspensão, como o TRX ou Redcord. Assim, em vez de suas mãos ou pés estarem firmes no chão, eles ficam apoiados em alças que se movem livremente. Isso cria instabilidade, exigindo mais esforço dos músculos estabilizadores, principalmente os do tronco.

    Por exemplo, ao executar um push-up suspenso, além de trabalhar os músculos peitorais e dos braços, você ativa intensamente os músculos abdominais para manter o equilíbrio. Isso faz do exercício uma escolha popular em treinos funcionais e de reabilitação.


    Benefícios dos Push-Ups Suspensos

    Os push-ups suspensos oferecem benefícios específicos que os tornam únicos:

    1. Maior ativação muscular:
      A instabilidade faz com que seus músculos trabalhem mais para estabilizar o corpo durante o movimento.
    2. Fortalecimento do core:
      O estudo que analisamos mostrou que músculos como o reto abdominal e os oblíquos externos tiveram um aumento significativo na espessura (27% e 14%, respectivamente) após 8 semanas de push-ups suspensos.
    3. Melhoria da resistência muscular:
      Durante o treinamento, os participantes conseguiram aumentar em 92% o número máximo de repetições realizadas até a falha.
    4. Exercício funcional:
      Esse tipo de treino imita movimentos naturais, pois, ajuda no desempenho em atividades do dia a dia e esportes.
    5. Baixo impacto:
      Ideal para pessoas que evitam exercícios de impacto, pois reduz a pressão nas articulações.

    Como os Push-Ups Suspensos Funcionam?

    A instabilidade do equipamento de suspensão exige mais do corpo. Enquanto nos push-ups tradicionais o chão oferece suporte estável, no treino suspenso seus músculos trabalham continuamente para evitar que você perca o equilíbrio. Isso não apenas aumenta o esforço, mas também ativa áreas como os músculos abdominais de maneira mais eficaz.

    O estudo revelou que a atividade muscular no reto abdominal durante push-ups suspensos pode atingir até 88% da capacidade máxima, dessa maneira, um valor significativamente maior que em flexões tradicionais.


    Pontos Fortes do Estudo

    1. Metodologia bem definida:
      O estudo seguiu um protocolo claro, com treinos de 8 semanas realizados até a falha, oferecendo resultados consistentes sobre os efeitos do exercício.
    2. Medidas confiáveis:
      Foram utilizados métodos objetivos, como ultrassom para avaliar a hipertrofia muscular e EMG para medir a atividade muscular, aumentando a credibilidade dos dados.
    3. Resultados significativos:
      Houve um aumento expressivo na espessura muscular, especialmente no reto abdominal (+27%) e nos extensores do cotovelo (+16%).
    4. Foco em exercícios funcionais:
      Os push-ups suspensos são apresentados como uma alternativa eficaz para treinar simultaneamente membros superiores e o core, uma abordagem moderna e prática.
    5. Reconhecimento de limitações:
      Os autores destacaram claramente as limitações do estudo, o que demonstra transparência e rigor científico.

    Pontos Fracos do Estudo

    1. Tamanho reduzido da amostra:
      O estudo incluiu apenas 8 participantes no experimento principal, o que limita a generalização dos resultados.
    2. Falta de grupo controle:
      A ausência de comparação com push-ups tradicionais impede conclusões mais completas sobre os benefícios relativos do treino suspenso.
    3. População homogênea:
      Todos os participantes eram homens jovens e fisicamente ativos, o que reduz a aplicabilidade dos resultados para outros grupos, como mulheres, idosos ou iniciantes.
    4. Limitações na força máxima:
      Apesar da hipertrofia, não houve aumento significativo na força máxima (como no supino), indicando que o treino suspenso pode não ser ideal para quem busca esse objetivo.
    5. Curto prazo:
      O estudo abrangeu apenas 8 semanas, sem avaliar a manutenção dos ganhos ao longo do tempo.

    Relevância Prática dos Push-Ups Suspensos

    Os push-ups suspensos são uma excelente ferramenta para:

    • Fortalecer os músculos do core e melhorar a estabilidade corporal.
    • Treinar resistência muscular de forma eficiente e funcional.
    • Complementar programas de reabilitação ou treinos de baixo impacto.
    • Introduzir variação em treinos regulares, aumentando o desafio muscular.

    Por outro lado, eles podem não ser suficientes para quem busca desenvolver força máxima em exercícios como o supino. Nesse caso, combiná-los com treinos tradicionais pode ser a melhor estratégia.


    Como Incluir os Push-Ups Suspensos no Treino?

    Se você está interessado em experimentar esse exercício, siga estas dicas:

    1. Use o equipamento correto:
      Sistemas como TRX ou Redcord são ideais para executar o exercício com segurança.
    2. Postura é essencial:
      Mantenha o corpo alinhado como em uma prancha, evitando deixar o quadril cair ou levantar demais.
    3. Comece devagar:
      Inicie com poucas repetições e concentre-se na técnica antes de aumentar a intensidade.
    4. Combine com outros exercícios:
      Adicione push-ups suspensos ao seu treino funcional para trabalhar diferentes grupos musculares.
    5. Adapte conforme o objetivo:
      Para resistência muscular, execute até a falha. No entanto. para força, combine com exercícios como supino.

    Conclusão

    Os push-ups suspensos são uma opção versátil e eficiente para fortalecer o corpo. Pois, eles oferecem benefícios únicos, como maior ativação muscular e fortalecimento do core, sendo especialmente úteis para treinos funcionais e de resistência.

    No entanto, é importante considerar as limitações do método. Para quem busca ganhos de força máxima, eles devem ser usados como complemento e não substituto de treinos tradicionais. Além disso, iniciantes devem começar com cautela para evitar lesões.

    Experimente incorporar os push-ups suspensos no seu treino e descubra os resultados! E, claro, compartilhe este artigo com amigos que também adorariam saber mais sobre essa técnica inovadora.

    Ele reduzido 4

    Artigo escrito por:

    Dr.Douglas Santos

    Fisioterapeuta

    Referências Bibliográficas:

    Suspended Push-up Training Augments Size of not only Upper Limb but also Abdominal Muscles

  • Café e Hipertensão: Aliado ou Vilão para a Pressão Arterial?

    Café e Hipertensão: Aliado ou Vilão para a Pressão Arterial?

    Tempo de leitura: 5 minutos

    DALL·E 2024 11 17 15.19.23 Uma xicara de cafe quente colocada em uma mesa de madeira clara cercada por graos de cafe com graficos sutis ao fundo mostrando uma linha de pressao

    O consumo de café é uma prática diária para milhões de pessoas ao redor do mundo. Além de ser uma bebida culturalmente significativa, o café desperta debates na ciência por seus potenciais impactos na saúde. Um tema particularmente intrigante é a relação entre o consumo de café e hipertensão arterial.

    Neste artigo, exploramos os achados de uma meta-análise publicada na revista Nutrients em 2023, que investigou a conexão entre café e hipertensão em estudos observacionais. Vamos descobrir se o café é um aliado ou um vilão para quem busca cuidar da saúde cardiovascular.


    O que é a Hipertensão e Por que Preocupar-se com Ela?

    A hipertensão arterial, ou pressão alta, é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, incluindo infarto e acidente vascular cerebral. Assim, dados da OMS revelam que mais de 1,2 bilhão de pessoas sofrem com hipertensão, sendo considerada uma condição de saúde global.

    Fatores como dieta rica em sal, obesidade, sedentarismo e consumo excessivo de álcool são conhecidos por aumentar o risco de hipertensão. No entanto, o impacto de alimentos e bebidas como o café ainda é controverso, e novos estudos continuam a lançar luz sobre esse tema.


    A Meta-Análise de 2023: Como foi Feita e o que Descobriu

    A meta-análise conduzida por Haghighatdoost e colaboradores revisou 25 estudos observacionais sobre o consumo de café e hipertensão. Em suma, esses estudos incluíram mais de 463.000 participantes de diferentes partes do mundo, abrangendo tanto estudos de coorte quanto estudos transversais.

    Metodologia da pesquisa

    Os pesquisadores usaram bases científicas como PubMed e Web of Science para buscar estudos publicados até 2023. Os critérios de inclusão foram rigorosos:

    • Estudos realizados em adultos (≥18 anos);
    • Avaliação do risco de hipertensão com base no consumo de café;
    • Dados claros sobre consumo de café e diagnóstico de hipertensão;
    • Estudos observacionais (coorte ou transversais).

    Resultados principais

    1. Estudos de coorte: O maior consumo de café foi associado a uma redução de 7% no risco de hipertensão.
    2. Estudos transversais: A relação foi ainda mais expressiva, com uma redução de 21% no risco entre consumidores regulares de café.

    Apesar desses achados promissores, os resultados variaram dependendo de fatores como:

    • Região geográfica: Nos Estados Unidos, o café teve um impacto mais protetor. Na Europa e Ásia, a associação foi menos clara.
    • Gênero: Mulheres pareciam obter mais benefícios do café do que homens.
    • Quantidade consumida: Três ou mais xícaras diárias mostraram maior potencial de proteção.

    Por que o Café Pode Reduzir o Risco de Hipertensão?

    Imagem mostrando um profissional aferindo a Pressão arterial de um paciente.

    Embora a cafeína seja conhecida por aumentar temporariamente a pressão arterial, o café contém outros compostos que podem ter efeitos benéficos. Entre eles, destacam-se:

    • Polifenóis e antioxidantes: Compostos como os ácidos clorogênicos ajudam a combater inflamações e melhoram a saúde vascular.
    • Nutrientes como potássio e magnésio: Podem auxiliar na regulação da pressão arterial.
    • Efeitos na insulina: O café pode melhorar a sensibilidade à insulina, reduzindo o risco de condições relacionadas, como hipertensão.

    Além disso, a tolerância à cafeína, que ocorre em consumidores habituais, pode reduzir seus efeitos hipertensivos.


    Fatores que Influenciam os Resultados

    A relação entre café e hipertensão não é uniforme pois, depende de várias condições, como:

    1. Diferenças genéticas

    Algumas pessoas metabolizam a cafeína mais rapidamente do que outras. Isso pode influenciar a resposta do corpo ao café.

    2. Tipo de café e método de preparo

    O café filtrado, por exemplo, contém menos substâncias lipídicas que podem aumentar o colesterol, em comparação ao café não filtrado. O impacto na pressão arterial pode variar com base nesses métodos.

    3. Estilo de vida

    Fatores como dieta geral, nível de atividade física e tabagismo também desempenham um papel importante na relação entre café e hipertensão.


    As Limitações do Estudo

    Embora robusto, o estudo reconhece algumas limitações:

    • Heterogeneidade entre estudos: Diferenças nos métodos de coleta de dados e no diagnóstico de hipertensão podem afetar os resultados.
    • Natureza observacional: Os estudos não provam causalidade, apenas associação.
    • Confusão por outros fatores: Variáveis como ingestão de sódio ou estilo de vida nem sempre foram controladas adequadamente.

    Apesar disso, a análise é um passo importante para compreender o impacto do café na saúde cardiovascular.


    Recomendações Práticas: Beber Café com Moderação

    Com base nas evidências disponíveis, o café pode ser parte de um estilo de vida saudável, mas a moderação é fundamental. Aqui estão algumas dicas:

    1. Consuma de forma regular, mas moderada: Até três xícaras por dia parecem oferecer benefícios sem riscos significativos.
    2. Observe sua resposta individual: Se você notar elevações na pressão arterial após consumir café, considere reduzir a quantidade ou optar por versões descafeinadas.
    3. Evite excessos: Consumir café em excesso pode causar efeitos adversos, como ansiedade e insônia.

    Finalizando

    A relação entre o consumo de café e a hipertensão é intrigante e multifacetada. Esta meta-análise de 2023 oferece evidências promissoras de que o café pode ter um papel protetor contra a pressão alta, especialmente em consumidores habituais.

    Embora os resultados sejam animadores, é importante considerar fatores individuais e manter um estilo de vida equilibrado. Ainda assim, consulte um profissional de saúde antes de fazer mudanças significativas na sua dieta.

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    Ele reduzido 4

    Artigo escrito por:

    Dr.Douglas Santos

    Fisioterapeuta

    Referências Bibliográficas:

    Coffee Consumption and Risk of Hypertension in Adults: Systematic Review and Meta-Analysis

  • Colete para Escoliose, Funciona?

    Colete para Escoliose, Funciona?


    O Que Você Precisa Saber

    • Eficácia comprovada: 70-90% de sucesso em adolescentes com curvas de 25-45 graus
    • Mas Atenção: Funciona APENAS durante crescimento ativo (10-16 anos geralmente)
    • Adultos: Evidência limitada a inexistente para correção estrutural
    • Tempo de uso crítico: 18-23 horas por dia para eficácia máxima (sim, é quase o dia todo)
    • Nem toda escoliose precisa: Curvas <25° geralmente só observação e PSSE
    • Risco psicológico real: 30% dos adolescentes relatam impacto emocional significativo
    • Alternativa cirúrgica: Para curvas >45-50° o colete pode não ser suficiente
    • Custo brasileiro: R$ 3.000-15.000 dependendo do tipo e customização

    Uma Conversa Real Sobre Coletes e Escoliose

    Se você está lendo isso, provavelmente acabou de receber (ou alguém que você ama recebeu) um diagnóstico de escoliose. Talvez o médico mencionou um colete, talvez você está pesquisando opções. Primeiro, respire fundo. Vamos conversar honestamente sobre o que a ciência realmente diz sobre colete para escoliose, sem romantizar nem demonizar.

    A escoliose afeta cerca de 2-3% da população, sendo mais comum em adolescentes durante o estirão de crescimento. O colete para escoliose, diferentemente do colete para hérnia de disco que discutimos outro dia, tem evidências sólidas de eficácia – mas com asteriscos importantes que precisamos discutir. A boa notícia? Quando indicado corretamente, pode realmente evitar cirurgia. A notícia realista? Não é solução mágica para todos os casos.

    O Que a Ciência Realmente Diz?

    Colete para escoliose Rigo Cheneau
    Colete Tridimensional Rigo-Cheneau

    Evidências a Favor (E São Fortes)

    O estudo BrAIST (Bracing in Adolescent Idiopathic Scoliosis Trial), publicado no New England Journal of Medicine em 2013, foi um divisor de águas. Este ensaio clínico randomizado demonstrou que 72% dos adolescentes que usaram colete evitaram progressão da curva versus apenas 48% no grupo de observação. Mais impressionante: entre aqueles que usaram o colete por mais de 18 horas diárias, a taxa de sucesso subiu para 90%.

    Weinstein et al. (2013) acompanharam 242 pacientes e encontraram número necessário para tratar (NNT) de 3 – significa que a cada 3 adolescentes tratados com colete, 1 evita cirurgia. Em medicina, isso é considerado altamente eficaz.

    Evidências Contra (Ou Melhor, Limitações)

    Mas aqui vem a realidade: estes resultados impressionantes aplicam-se APENAS a adolescentes em crescimento com escoliose idiopática e curvas entre 25-45 graus. Fora desta janela específica, a história muda dramaticamente.

    Para adultos com escoliose, a revisão sistemática de Zaina et al. (2016) encontrou evidência “muito baixa” de que coletes reduzem progressão ou dor. Em crianças com curvas <25 graus, o tratamento é observação estratégica e PSSE (Exercício específico para Escoliose como o Método Schroth. Para curvas >45 graus em adolescentes, a eficácia cai significativamente.

    Por Que a Controvérsia?

    A controvérsia surge porque:

    1. Especificidade extrema: Funciona bem em situação muito específica
    2. Compliance brutal: 18-23 horas por dia é psicologicamente difícil
    3. Tipos diferentes: Nem todos coletes são iguais (Milwaukee, Boston, Charleston, Rigo Cheneau, ou feitos por impressora 3D )
    4. Marketing predatório: Clínicas vendem para casos não indicados ( Sim, pacientes com mais de 20 anos usando colete, um absurdo!)
    5. Impacto psicossocial: Adolescência já é difícil, imagina com colete

    Como o Colete para Escoliose Funciona (Quando Funciona)?

    O mecanismo é surpreendentemente simples e comprovado: aplicação de forças corretivas tridimensionais durante o período de crescimento ósseo. Não é mágica, é biomecânica aplicada.

    Princípios biomecânicos:

    • Pressão direcionada: Aplica força nas convexidades das curvas
    • Espaços de expansão: Permite crescimento nas concavidades
    • Lei de Hueter-Volkmann: Pressão inibe crescimento, alívio estimula
    • Janela crítica: APENAS funciona com cartilagens de crescimento abertas

    O colete essencialmente “guia” o crescimento da coluna. Imagine moldar uma árvore jovem – funciona enquanto está crescendo, não depois de adulta. Por isso a eficácia dramática em adolescentes e fracasso em adultos.

    Tipos principais no Brasil:

    • TLSO (Boston/Wilmington): Mais comum, curvas toracolombares
    • Milwaukee: Curvas altas, Hipercifoses, inclui apoio cervical. Pouco utilizado
    • Charleston: Uso noturno apenas, curvas específicas.
    • SpineCor: Dinâmico, evidência mais limitada.
    • Rigo Cheneau 3D:Tem mostrado boa eficácia, melhora estética corporal e estrutural da coluna.
    • Feito por impressora 3D: Colete novo aqui no Brasil.

    Quais São os Riscos Reais?

    Riscos Físicos

    Surpreendentemente, riscos físicos são menores que imagina:

    • Irritação cutânea: 15-20% dos casos, geralmente manejável
    • Fraqueza muscular temporária: Reversível com exercícios
    • Restrição respiratória mínima: Em coletes bem ajustados
    • Dor/desconforto inicial: 90% adaptam em 2-4 semanas

    Riscos Psicológicos (Os Mais Preocupantes)

    Aqui mora o problema real. Estudo de Schwieger et al. (2016) encontrou:

    • 31% com impacto na autoestima
    • 25% relatam isolamento social
    • 20% desenvolvem ansiedade relacionada à imagem corporal
    • 15% apresentam sinais de depressão

    Adolescentes usando colete 23 horas por dia enfrentam desafios enormes: escolher roupas, participar de esportes, intimidade romântica inicial, bullying potencial. Não minimize isso.

    Para Quem o Colete Realmente Pode Ser Útil?

    Candidatos Ideais (Evidência Forte)

    Critérios específicos:

    • Idade: 10-15 anos (meninas), 12-17 anos (meninos)
    • Risser 0-3 (cartilagem de crescimento aberta)
    • Curva principal: 25-45 graus
    • Escoliose idiopática adolescente
    • Potencial de crescimento >1 ano
    • Capacidade de usar 18+ horas/dia
    • Suporte familiar forte

    Casos Duvidosos (Evidência Fraca)

    • Adultos com dor (pode aliviar temporariamente, não corrige)
    • Curvas <25° (observação é suficiente)
    • Curvas >45° (considerar cirurgia)
    • Escoliose neuromuscular (evidência limitada)
    • Pré-adolescentes com curvas leves (controverso)

    Não Indicado (Evidência Contra)

    • Adultos buscando correção estrutural
    • Esqueleto maduro (Risser 5)
    • Escoliose congênita severa
    • Curvas rígidas não flexíveis

    Alternativas Com Melhor Evidência (Ou Complementares)

    Para Curvas Leves (<25°)

    Observação ativa e PSSE: Reavaliação a cada 4-6 meses. 75% não progridem.

    Exercícios específicos (SEAS/Schroth): Evidência emergente promissora. Revisão de 2016 sugere possível redução de progressão, mas não substitui colete quando indicado.

    Para Curvas Moderadas (25-40°)

    Colete + Exercícios-PSSE: Combinação mostra melhores resultados que colete isolado. Mantém força muscular e flexibilidade.

    Fisioterapia específica: Método Schroth tem evidência crescente como complemento, não substituto.

    Para Curvas Severas (>45-50°)

    Cirurgia (fusão espinhal): Evidência sólida para correção e estabilização. Riscos maiores, mas resultados previsíveis.

    Vertebral Body Tethering (VBT): Técnica nova, promissora para alguns casos. Evidência ainda em desenvolvimento.

    Como Tomar uma Decisão Informada?

    Família, e fisioterapeuta explicando os benefícios do uso do colete

    Perguntas Essenciais para Seu Médico

    1. Qual exatamente é o grau da curva? (Número específico)
    2. Qual o Risser sign? (Determina potencial de crescimento)
    3. Quanto crescimento resta? (Fundamental para prognóstico)
    4. Qual a probabilidade de progressão SEM colete?
    5. Quantas horas por dia especificamente?
    6. Qual tipo de colete e por quê?
    7. Plano B se não funcionar?

    Sinais de Alerta (Red Flags)

    • Médico promete correção completa (irrealista)
    • Indicação para adultos prometendo correção estrutural
    • Colete para curvas <20° sem outros fatores
    • Não menciona impacto psicossocial
    • Não oferece acompanhamento psicológico
    • Promessas de “novo colete revolucionário”

    FAQ – Perguntas Honestas, Respostas Diretas

    Funciona mesmo ou é marketing?

    DEPENDE. Para adolescentes em crescimento com curvas de 25-45 graus, SIM, funciona em 70-90% dos casos se usado corretamente. Para adultos buscando correção, NÃO. Para alívio temporário de dor em adultos, TALVEZ. Marketing existe, especialmente para casos não indicados.

    Quanto custa e vale a pena?

    No Brasil: R$ 4.000-10.000 dependendo do tipo e customização. Vale a pena? Se você está na janela ideal (adolescente, curva moderada, crescimento ativo) e alternativa é cirurgia de R$ 100.000-300.000, absolutamente sim. Fora desta janela? Questionável.

    Meu filho vai sofrer bullying?

    Honestamente? Possível. Estudos mostram 20-30% relatam provocações. Mas também mostram que suporte familiar e escolar adequado minimiza impacto. Coletes modernos são mais discretos. Considere acompanhamento psicológico preventivo, não reativo.

    Quantas horas REALMENTE precisa usar?

    Evidência é clara: dose-resposta direta. <12 horas = eficácia mínima. 12-18 horas = resultados moderados. >18 horas = máxima eficácia (90% sucesso). Não adianta negociar com a física.

    Pode fazer esportes com colete?

    Geralmente remove para esportes de contato e natação, mantém para outros. Cada hora fora conta. Alguns optam por colete noturno (Charleston) se praticam esporte competitivo, mas eficácia é menor.

    E se meu filho se recusar a usar?

    Realidade comum. 25% têm compliance inadequada. Opções: suporte psicológico, grupos de apoio, negociação de horários, mudança para colete noturno (menos eficaz), ou aceitar riscos de progressão. Forçar pode ser contraproducente.

    Adulto com escoliose, vale a pena tentar?

    Para correção estrutural? Não, evidência inexistente. Para alívio temporário de dor? Alguns relatam melhora, mas exercício e fisioterapia têm evidência superior. Seja realista sobre expectativas.

    Quanto tempo total de tratamento?

    Até maturidade esquelética (Risser 4-5), geralmente 2-4 anos. Sim, é longo. Por isso suporte psicológico é crucial.

    Conclusão: O Veredito Equilibrado

    Colete para escoliose é um daqueles raros casos em medicina onde temos evidência sólida de eficácia – mas apenas para população muito específica. Se seu filho adolescente tem escoliose idiopática progressiva entre 25-45 graus e ainda está crescendo, o colete pode genuinamente evitar cirurgia. Os números não mentem: 70-90% de sucesso quando usado corretamente.

    Mas sejamos claros: não é tratamento fácil. Usar colete 18-23 horas por dia durante a adolescência é desafio monumental. O impacto psicossocial é real e não deve ser minimizado. Suporte familiar, psicológico e escolar não são opcionais – são essenciais.

    Para adultos, a conversa é outra. Colete não vai corrigir sua curva estabelecida. Pode ajudar temporariamente com dor, mas exercícios específicos e fisioterapia têm evidência superior.

    A mensagem final? Colete para escoliose funciona – quando indicado corretamente, usado adequadamente, com expectativas realistas. Não é solução mágica nem tortura medieval. É ferramenta médica com indicações precisas, benefícios comprovados e limitações importantes.


    Nota: Este artigo tem caráter educativo e informativo. O tratamento da escoliose deve ser individualizado e acompanhado por equipe especializada incluindo ortopedista, fisioterapeuta e, quando necessário, suporte psicológico. Não tome decisões baseadas apenas em leituras online.

    Referências (Acesso Aberto)

    1. Weinstein SL, Dolan LA, Wright JG, Dobbs MB. Effects of bracing in adolescents with idiopathic scoliosis. N Engl J Med. 2013;369:1512-1521.
    2. Zaina F, Donzelli S, Negrini S. Spinal deformities rehabilitation: state of the art review. Scoliosis and Spinal Disorders. 2016;11:3.
    3. Schwieger T, Campo S, Weinstein SL, et al. Body image and quality of life in untreated versus brace-treated females with adolescent idiopathic scoliosis. Spine. 2016;41(4):311-9.
    4. Negrini S, Donzelli S, Aulisa AG, et al. 2016 SOSORT guidelines: orthopaedic and rehabilitation treatment of idiopathic scoliosis. Scoliosis and Spinal Disorders. 2018;13:3.
    5. Karol LA, Virostek D, Felton K, Wheeler L. Effect of compliance counseling on brace use and success in patients with adolescent idiopathic scoliosis. J Bone Joint Surg Am. 2016;98:9-14.
    6. SRS (Scoliosis Research Society). Bracing for Scoliosis Guidelines. 2020. [Acesso aberto: www.srs.org]

  • Comportamento Sedentário

    Comportamento Sedentário

    Tempo de leitura: 6 minutos

    Sedentarismo é um tema sempre muito discutido nas políticas de saúde, mas você já ouviu falar sobre comportamento sedentário? Nós abordamos esse assunto em um breve diálogo com uma de nossas pacientes, que nos procurou para sair desse tipo de comportamento.

    Amanda entrou na clínica com um sorriso nervoso, ajeitando a bolsa no ombro enquanto olhava ao redor. Era sua primeira consulta para uma avaliação de Pilates, e parecia um pouco apreensiva. O que é normal para quem vai iniciar uma aula experimental.

    — Seja bem-vinda, Amanda! Está pronta para nossa aula experimental de Pilates? — perguntei com entusiasmo.

    — Estou sim, Maite, mas confesso que me sinto um pouco insegura — respondeu Amanda, sorrindo timidamente. — Tenho passado tanto tempo sentada que até perdi o ritmo das atividades físicas.

    Sentei-me ao seu lado, com uma expressão compreensiva.

    — Eu entendo completamente. É normal sentir-se assim, mas saiba que sua preocupação já é um ótimo primeiro passo. Que tal começarmos falando um pouco sobre o sedentarismo?

    O Que é Sedentarismo?

    Amanda franziu o cenho, curiosa.

    — Sempre ouço dizer que estou “sedentária”, mas, sinceramente, o que isso significa exatamente?

    Respirei fundo, pronta para explicar, pois a conversa seria longa, o que eu adoro!

    — O sedentarismo é, basicamente, a falta de atividade física suficiente para manter a saúde. Para ser considerada ativa, uma pessoa deve realizar pelo menos 150 minutos de atividade leve a moderada por semana, o que equivale a uns 30 minutos de uma caminhada rápida, cinco vezes na semana. Quando não atingimos esse mínimo, podemos dizer que somos classificados como “sedentários”.

    — Então, só por não fazer exercícios regularmente, já posso ser considerada sedentária? — perguntou Amanda.

    — Exato! Mas existe uma diferença entre sedentarismo e o que chamamos de comportamento sedentário, que é algo um pouco diferente e tem um impacto específico na saúde, especialmente quando passamos muitas horas sentados.

    Comportamento Sedentário

    Diferença Entre Sedentarismo e Comportamento Sedentário

    Curiosa, Amanda inclinou-se para frente.

    — Comportamento sedentário?

    — Sim! — respondi com um sorriso. — Sedentarismo, como mencionei, é a falta de atividade física suficiente para gastar energia. Já o comportamento sedentário está relacionado ao tempo em que permanecemos sentados ou deitados enquanto estamos acordados, realizando atividades de baixo gasto energético. Ou seja, você pode até fazer seus 30 minutos de atividade por dia e ainda assim ter um comportamento sedentário se passa muitas horas sentada.

    — Interessante. Eu trabalho sentada o dia todo, então provavelmente isso se aplica a mim, certo?

    — Sim! Muitas pessoas que trabalham em escritórios ou que passam muito tempo em atividades sedentárias podem apresentar altos níveis de comportamento sedentário, mesmo se praticarem alguma atividade física no dia.

    Os Perigos do Comportamento Sedentário

    Amanda mordeu o lábio, começando a entender a seriedade do assunto.

    — E quais são os riscos de passar tanto tempo sentada?

    Ajustei-me na cadeira, assumindo um tom mais sério.

    Estudos revelam que algumas pessoas trabalham suas 8 horas por dia sentadas, saem do trabalho e vão para casa, onde permanecem por horas assistindo aos seus programas favoritos. Se essa pessoa passa 4 horas ou mais assistindo TV, são 16 horas praticamente sem gasto energético. Essa associação entre tempo sentado e consumo de alimentos pouco saudáveis pode ser letal. Estudos mostram que mais de 3 ou 4 horas diárias assistindo TV e mais de 7 horas sentadas em qualquer atividade são prejudiciais e podem aumentar a mortalidade.

    Amanda arregalou os olhos.

    — Nossa, não imaginava que era tão sério.

    — Sim, infelizmente é. E o problema é que muita gente não percebe os efeitos disso até desenvolver um problema de saúde.

    Quem São as Pessoas Mais Afetadas?

    Amanda parecia pensativa.

    — Então, pessoas que trabalham sentadas estão mais vulneráveis?

    — Exatamente. Profissionais que passam o dia no computador, em reuniões ou em atividades que exigem pouca movimentação, como professores, contadores e até motoristas, são mais vulneráveis ao comportamento sedentário. Mesmo fazendo uma caminhada ou aula de ginástica, passam muitas horas sentados diariamente.

    Amanda suspirou.

    — É como se fosse impossível escapar.

    — Não é impossível, mas realmente é um desafio. A boa notícia é que existem formas de reduzir o tempo que passamos sentados.

    Como Reduzir o Tempo Sentado no Trabalho?

    Amanda inclinou-se, interessada.

    — E o que posso fazer no meu trabalho para reduzir esse tempo?

    Sorrio, animada com o engajamento dela.

    — Existem várias estratégias! Primeiro, tente se levantar a cada 30 minutos. Pode ser para pegar um copo d’água, atender uma chamada em pé ou até fazer alguns alongamentos. Outra dica é ajustar sua estação de trabalho, como usar uma mesa regulável para alternar entre trabalhar sentada e em pé. Estudos mostram que pequenas mudanças assim fazem uma grande diferença.

    — Isso faz sentido. Acho que poderia tentar essas pausas de meia em meia hora. Também posso arrumar uma mesa ajustável — Amanda refletiu.

    — Com certeza! Além disso, incorporar uma breve caminhada durante o intervalo de almoço ou fazer alongamentos no próprio escritório pode ajudar. A ideia é quebrar o tempo sentado e evitar longos períodos ininterruptos.

    Doenças Comuns Causadas pelo Comportamento Sedentário

    Amanda parecia absorver todas as informações com interesse.

    — E quais são as doenças mais comuns ligadas a isso?

    — Uma das mais comuns é a lombalgia, aquela dor na parte inferior das costas, causada pelo enfraquecimento muscular e pela pressão nos discos da coluna. O comportamento sedentário também está associado ao aumento de peso, hipertensão, doenças cardíacas e até diabetes tipo 2.

    Amanda suspirou novamente, com um toque de preocupação no olhar.

    — É muita coisa para se preocupar, não é?

    — É sim, mas você está aqui hoje, e isso já é um ótimo primeiro passo!

    Como o Pilates Pode Ajudar?

    — E é aí que o Pilates entra! Como uma atividade de condicionamento físico, o Pilates fortalece os músculos, melhora a postura e ajuda a mobilizar o corpo todo. Além disso, o Pilates promove flexibilidade e consciência corporal, essenciais para quem passa muito tempo sentado.

    Amanda abriu um sorriso, parecendo mais aliviada.

    — Sério? Achei que era mais um exercício para alongamento.

    — Vai muito além disso. O Pilates trabalha força, equilíbrio e controle, o que é ideal para combater os efeitos negativos do comportamento sedentário.

    — Parece incrível! E, pelo que vejo, será mais do que só exercício para mim. Vai ajudar com meu bem-estar em geral — comentou Amanda, empolgada.

    — Exato! O Pilates ajuda você a reconectar-se com o próprio corpo, pois contribui para uma vida mais saudável e ativa.

    Iniciando a Jornada com Pilates

    — Então, Amanda, pronta para começar? — pergunto, com um brilho nos olhos.

    — Sim! Estou motivada para iniciar essa mudança — respondeu Amanda, confiante.

    — Ótimo! Vamos fazer isso com calma e paciência. Com o tempo, você vai perceber os benefícios de um corpo mais forte, flexível e em movimento. Vamos transformar o Pilates em uma rotina que você realmente goste! O comportamento sedentário é um assunto mais sério do que aparenta, e estudos mostram que praticar de 150 a 300 minutos de exercício físico pode ajudar a amenizar os efeitos. Mesmo assim, é importante ficar atento ao tempo sem atividade física. Equilibrar essa balança exige esforço, mas os benefícios para a saúde fazem valer a pena.

    Referências:

    Sedentary behaviour and risk of all-cause, cardiovascular and cancer mortality, and incident type 2 diabetes: a systematic review and dose response meta-analysis.

    Effectiveness of an intervention for reducing sitting time and improving health in office workers: three arm cluster randomised controlled trial BMJ 2022; 378 doi: https://doi.org/10.1136/bmj-2021-069288 (Published 17 August 2022) Cite this as: BMJ 2022;378:e069288

    Ele reduzido 4

    Artigo escrito por:

    Dr.Douglas Santos

    Fisioterapeuta